Os efeitos da dieta vegana em nossa inteligência

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Os antropólogos vêm discutindo há décadas sobre a alimentação dos nossos ancestrais; e muitos cientistas acreditam que vários ossos foram triturados rumo à evolução do cérebro.

Mesmo Gandhi, que era de familia vegana (vixnuísta), nunca havia comido carne até sua adolescência. Em um piquenique ele a experimentou, mas sua relação com a carne não durou muito. Ele também tentou cortar laticínios, mas problemas de saúde o fizeram ter certeza de que uma pessoa precisasava de ovos e leites para ser saudável.

Mas não existe melhor alimento do que carne para suprir a enorme variedade de gorduras, aminoácidos, vitaminas e minerais de que o cérebro precisa?

Embora seja difícil imaginar nossos ancestrais optando por comer nabo em vez de atum, hoje a história é bem diferente. De acordo com as estatísticas mais recentes, há cerca de 375 milhões de vegetarianos no planeta.

No Ocidente, o veganismo deixou de ser uma filosofia hippie para se tornar uma das tendências do milênio que mais cresce.

Mas a preocupação recente com os déficits nutricionais das dietas à base de legumes e verduras gerou uma série de manchetes alarmantes, incluindo o alerta de que podem retardar o desenvolvimento do cérebro e causar danos irreversíveis ao sistema nervoso.

Em 2016, a Sociedade Alemã de Nutrição chegou a afirmar categoricamente que as dietas veganas não são recomendadas para crianças, mulheres grávidas ou lactantes e adolescentes, o que foi reforçado por uma revisão da pesquisa em 2018.

Na Bélgica, obrigar os filhos a adotar uma dieta vegana pode levar à prisão.

Será então que a dieta vegana realmente afeta nossa inteligência ou é apenas mito?

Estudos ideais sobre o assunto ainda não foram feitos, mas uma pesquisa chegou perto. Ela foi realizada com 555 crianças em idade escolar no Quênia, que foram alimentadas com um destes três tipos diferentes de sopa — com carne, com leite ou com azeite — ou não tomaram sopa, durante sete períodos escolares.

Elas foram submetidas a testes antes e depois, para comparar como a sua inteligência se comportava. Devido às circunstâncias econômicas, a maioria das crianças era, na prática, vegetariana no início do estudo.

Surpreendentemente, as crianças que tomaram a sopa de carne todos os dias pareciam apresentar uma vantagem significativa.

Ao fim do estudo, superaram todas as outras crianças em um teste de raciocínio não verbal.

Junto com as crianças que tomaram sopa com azeite, elas também se saíram melhor em um teste de aritmética.

É claro que são necessários mais estudos para verificar se esse efeito é real — e se também se aplicaria a adultos em países desenvolvidos. Mas ele levanta questões intrigantes sobre se o veganismo pode estar retardando o desenvolvimento mental de algumas pessoas.

De fato, há vários nutrientes importantes para o cérebro que simplesmente não existem nas plantas ou fungos, como cogumelos.

A creatina, carnosina, taurina, EPA e DHA ômega-3 (o terceiro tipo, ALA, pode ser encontrado em plantas), ferro heme e vitaminas B12 e D3 são encontrados naturalmente em alimentos de origem animal, embora possam ser sintetizados em laboratório ou ser extraídos de outras fontes — como algas, bactérias ou líquenes — e adicionados a suplementos.

Outros são encontrados em alimentos veganos, mas apenas em pequenas quantidades. O organismo também pode produzir muitos dessas vitaminas, mas não em quantidade suficiente.

Por exemplo, para obter a quantidade mínima de vitamina B6 necessária diariamente (1,3mg) a partir de uma das fontes vegetais mais ricas, a batata, é preciso cerca de 750g.

Já foi constatado que vegetarianos e veganos apresentam níveis mais baixos de todos os nutrientes listados acima em seus corpos.

“Acho que o fato de as dietas à base de plantas estarem se popularizando está tendo algumas repercussões reais”, diz Taylor Wallace, cientista de alimentos e CEO da consultoria de nutrição Think Healthy Group.

“Não é que a base de plantas seja inerentemente ruim, mas não acho que estamos educando as pessoas o suficiente sobre os nutrientes que são derivados principalmente de produtos animais.”

Um dos desafios mais conhecidos para os veganos é obter vitamina B12 suficiente, que só é encontrada em produtos de origem animal, como ovos e carne

“Há alguns casos trágicos de crianças cujos cérebros não se desenvolveram devido ao fato dos pais serem veganos mal informados”,

diz David Benton, que estuda a relação entre a alimentação e a química cerebral na Universidade de Swansea, no País de Gales, Reino Unido.

Uma criança, por exemplo, não conseguia sentar ou sorrir. Outra entrou em coma.

Na vida adulta, a quantidade de vitamina B12 no sangue de uma pessoa está diretamente correlacionada com seu QI (quociente de inteligência). E em idosos, o cérebro de veganos (que possuem baixa taxa de vitamina B12) tem 6 vezes mais chance de encolher.

Em algumas partes da Índia, o problema é endêmico, possivelmente como consequência da alta prevalência da dieta sem carne.

Deficiências comuns em veganos

Outro nutriente escasso na dieta vegana típica é o ferro, essencial para manter o órgão saudável ao longo da vida.

Por exemplo, um estudo de 2007 sugere que mulheres jovens que tomaram suplementos de ferro apresentaram ganhos intelectuais significativos.

É surpreendentemente fácil apresentar deficiência de ferro, apesar deste mineral representar 80% da massa interna do nosso planeta.

Os veganos são particularmente propensos a isso, uma vez que o tipo de ferro mais facilmente absorvido pelo corpo é o ferro heme, que só é encontrado na proteína animal.

Outras deficiências comuns entre os veganos incluem vitamina D3, ômega-3, selênio, ácido fólico e iodo.

E tomar sol não compensa a deficiência gerada pela dieta vegana.

A taurina é outro exemplo. Ela ajuda a regular nossos neurônios e suas principais fontes são carne e frutos do mar. Já a colina é usada para produzir acetilcolina, que está envolvida em uma série de funções, incluindo a transmissão de mensagens entre as células nervosas.

Ela é fundamental para nossa capacidade de pensar e nosso corpo não consegue produzi-la em quantidade suficiente. Na verdade, mesmo com uma dieta normal, 90% dos americanos não a consomem em quantidade suficiente.

De acordo com uma pesquisa ainda não publicada conduzida por Wallace, os vegetarianos apresentam a ingestão mais baixa dentro de qualquer grupo demográfico.

“Eles apresentam níveis extremamente baixos de colina, a ponto de ser preocupante”, diz Wallace.

“Acho que precisamos de muito mais pesquisas sobre nutrição e saúde vegana”, afirma Heather Russell, nutricionista da entidade vegana The Vegan Society.

Heather Russel também alerta que, apesar de ser preciso mais estudos, sem dúvida o veganismo pode causar deficiências de ferro e vitamina B12, e eles certamente afetam ainteligência.

Fonte: BBC

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Nascida e criada em São Paulo, é publicitária formada pela Faculdade Cásper Líbero e Master em Programação Neurolinguística. Trabalha como redatora publicitária, redatora de conteúdo e tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por animais e viagens, morou no Canadá e no Uruguai, e não dispensa uma oportunidade de conhecer novos lugares e culturas.
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