O corte na ciência está prejudicando até Sirius, o programa mais inovador em que já investimos

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A ciência no Brasil entra cada vez mais no modo sobrevivência.

O Sirius é um dos três aceleradores de partículas de quarta geração em funcionamento no mundo ―Suécia e França detém os outros. O equipamento poderá ter até 38 estações de pesquisa simultâneas nas mais diferentes áreas. Na agricultura, a luz de síncotron pode revelar como partículas de nutrientes ou poluentes interagem com outras moléculas no solo.

Já na saúde, a luz síncrotron contribui no estudo de nanopartículas, o que pode levar à descoberta de novos métodos para o tratamento do câncer. De forma emergencial, o laboratório abriu em setembro do ano passado uma linha de pesquisa para atender projetos sobre o vírus SARS-CoV-2, da covid-19.

“É um equipamento pensado para o futuro, que não se tornará obsoleto rapidamente”, explica o físico Antonio José Roque da Silva, diretor geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social que está à frente do Projeto Sirius.

O pesquisador explica que para o país extrair o melhor do potencial científico do Sirius, precisa de um sistema de ciência e tecnologia forte e bem estruturado, com a continuidade de investimentos. Mas essa não é a realidade.

Temos observado uma tendência contrária, com interrupções de financiamento que são extremamente prejudiciais para o sistema”, afirma.

O corte recente atinge principalmente o repasse de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), responsável por irrigar todo o sistema de ciência, tecnologia e inovação.

Após uma redistribuição de recursos, restaram apenas 89,9 milhões de reais do recurso complementar para o MCTI, ou seja, 13% do valor aprovado pelo Congresso. Desse montante, só 7,2 milhões são para investimento em pesquisa e inovação.

“O impacto psicológico é grande. Depois de anos de dificuldades, havia uma expectativa de melhora na situação”, completou físico Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Desde 2015, com a crise econômica acirrada pelo impeachment de Dilma Rousseff, o setor enfrenta uma redução drástica de seu orçamento. A pasta perdeu quase 60% de seus recursos desde então, corte agravado pela pandemia do coronavírus.

A esperança dos cientistas para salvar o ano está na liberação de cerca de 2 bilhões do FNDCT, que foram contingenciados durante a crise sanitária. Mas a verba restante continua congelada entre as brigas entre o Congresso e o Presidente Bolsonaro, que veta as leis a favor da liberação da verba restante.

Davidovich afirma que o Governo Bolsonaro “está construindo uma teia de projetos, leis e emendas constitucionais” com o objetivo de minar os recursos destinados à ciência.

“Essas ações acontecem com tal velocidade que não sabemos se a lei está sendo cumprida. É um blitzkrieg contra a ciência brasileira”, afirma, citando a tática militar alemã de fazer ataques rápidos e de surpresa, evitando assim que o inimigo consiga organizar sua defesa. “É ridículo o desgaste que está sendo feito por uma quantia irrisória”, afirma.

Se não houver mudança, segundo Davidovich, os investimentos do país na ciência voltarão ao patamar de 2009 (segundo informações da economista Fernanda De Negri, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Os recursos previstos inicialmente para o Sirius na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LOA) eram de 92 milhões de reais, mas ao longo do ano esse valor foi reduzido para apenas 27 milhões, 70% a menos e insuficiente para manter as pesquias.

“Sabemos que o Ministério da Ciência tem empenhado esforços para buscar uma solução alternativa. Entretanto, caso essa recomposição orçamentária não ocorra, seja via FNDCT, seja via Orçamento do tesouro, o projeto estará em uma situação muito difícil. Isso ocorrerá também para a operação regular do CNPEM, que teve também cortes de 32%, já em um Orçamento extremamente comprimido pelos cortes ao longo dos últimos anos”, afirma Silva.

Por enquanto, o Brasil continua “à frente de outros países” na exploração da luz de síncotron. Mas não há garantias que vai se manter assim. O mercado externo “assedia” continuamente cientistas e pesquisadores brasileiros, que, sem condiçõesde trabalho no Brasil e com tanta experiência e conhecimento, acabam se rendendo aos encantos da ciência internacional.

Fonte: elpais

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Nascida e criada em São Paulo, é publicitária formada pela Faculdade Cásper Líbero e Master em Programação Neurolinguística. Trabalha como redatora publicitária, redatora de conteúdo e tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por animais e viagens, morou no Canadá e no Uruguai, e não dispensa uma oportunidade de conhecer novos lugares e culturas.
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