Agrotóxico é usado contra aldeias de indígenas em Mato Grosso do Sul

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“Eram 4h da manhã, ainda estava escuro, e meu avô achou que estava chovendo, pelo barulho das gotas batendo no teto de lona. Quando saiu, sentiu o cheiro bem fedido e percebeu que era agrotóxico”

conta Erileide Domingues, liderança da aldeia Guyraroká, no município de Caarapó.

“A gente vive no meio do veneno. Respira, come, bebe e veste o veneno que eles jogam.”

A pulverização noturna com aviões é mais um capítulo da conflituosa relação dos guaranis-kaiowás com seus vizinhos fazendeiros. Os casos são tão frequentes e sistemáticos em Mato Grosso do Sul que foram definidos como “agressões químicas” pelo procurador Marco Antônio Delfino, do Ministério Público Federal, que leva à frente várias denúncias.

“É como uma guerra. Eles começaram com tiros para intimidar e tratores empurrando nossas ocas. Depois passaram a atacar a gente com veneno, que é uma arma que mata aos poucos. Eles querem correr com a gente daqui, mas nós vamos resistir”, afirma Ezequiel João, liderança no assentamento Guyra Kambi’y, em Douradina.

Segundo a legislação, os aviões pulverizadores só podem voar a mais de 500 metros de distância de áreas habitadas. Não é o que se vê em vários flagrantes gravados por celulares dos rasantes e sobrevoos em terras indígenas na região.

Escolas afetadas pelo veneno

Toda feita de alvenaria e pintada de branco, verde e marrom, a escola na aldeia Guyraroká virou notícia apenas 1 m~Es depois de ser inaugurada, em 2019:  uma nuvem de calcário e agrotóxico fez quatro crianças e dois adolescentes serem hospitalizados com dor peito, estômago e cabeça, além de tosse seca, falta de ar, vômitos, diarreia e irritação cutânea.

 

Brigas judiciais e apelo à ONU

A demarcação do território Guyraroká está no STF (Supremo Tribunal Federal), onde tramita desde 2014, entre decisões e recursos, esperando uma votação do plenário.

Antonia Urrejola, advogada chilena que presidiu a CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), solicitou medidas cautelares para o Estado brasileiro proteger os 110 indígenas (metade deles menores de idade) daquela aldeia.

“De lá pra cá, não foi feito nada por parte das autoridades. E nossa vida é lutar até onde der”, reclama Erileide.

O próximo passo seria uma denúncia na ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o uso do agrotóxico contra as comunidades originais, como aconteceu com o Paraguai — em 2019, o país vizinho se converteu no primeiro condenado no mundo por violação dos direitos humanos com motivo ambiental.

Duas aldeias de Mato Grosso do Sul conseguiram indenização depois de comprovarem nos tribunais o ataque com agrotóxico. Mas, os guarani-kaiowá continuam orando. Pedem chuva, demarcação e alimento para Nhanderu, o Deus criador do mundo.

Um dos cânticos é o resumo de como eles vivem agora:

“Não tem mais mato para buscar sapé e fazer nossa casa/Antes tinha/Agora não/O que Nhanderu fez em cima da Terra não tem mais/Antes tinha/Agora não”.

Como os homens, as cigarras vão sobrevivendo a tanto inseticida por lá e cantam também no meio da mata. É triste como o homem pode matar e destruir outros homens, animais e a natureza apenas por ganância.

Fonte: tab.uol 

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Nascida e criada em São Paulo, é publicitária formada pela Faculdade Cásper Líbero e Master em Programação Neurolinguística. Trabalha como redatora publicitária, redatora de conteúdo e tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por animais e viagens, morou no Canadá e no Uruguai, e não dispensa uma oportunidade de conhecer novos lugares e culturas.
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