Multinacionais atrasam leis ambientais. Um estudo desmascara a hipocrisia da Coca-Cola, Nestlé e Unilever

Condividi su Whatsapp Condividi su Linkedin

Elas se comprometem a reduzir o consumo de plástico, mas estimulam seu uso em países com menos restrições ambientais. Declaram sua intenção de apoiar regulamentações para proteger o meio ambiente, mas suas ações são apenas “greenwashing”, ou seja, marketing. Essas são as acusações contra multinacionais como Coca Cola, Nestlé e Unilever, relatadas em estudo da Changing Markets Foundation.

O consumo intensivo de plástico é um problema ambiental. Não é o único, mas é um dos mais impactantes. E o trabalho realizado pela Changing Markets Foundation ‘Talking trash’ mostra resultados que se traduzem em acusações muito degradantes.

Com efeito, o relatório analisa os compromissos voluntários e iniciativas do grupo de dez organizações consideradas os maiores poluidores em termos de plástico, nomeadamente Coca-ColaColgate-PalmoliveDanone, Mars Incorporated, Mondelēz InternationalNestlé, PepsiCoPerfetti Van MelleProcter & Gamble e Unilever, e revelam que somente enganam consumidores e governos, permitindo que os poluidores continuem normalmente com seus negócios.

Uma estratégia real, portanto, não apenas uma leveza questionável: segundo as denúncias, as empresas trabalhariam nos bastidores para atrasar e até inviabilizar a legislação ambiental, para garantir a possibilidade de continuar inundando o mundo com produtos descartáveis.

Os produtores de plástico até exploraram a pandemia do coronavírus, com medo generalizado, para exigir revisões de regulamentações mais rígidas e atrasos na legislação ambiental.

Muito mais do que greenwashing, e muito pior do que manobras populistas voltadas para o consenso de massa. As multinacionais estariam usando promessas e compromissos ambientais falsos para continuar suas ações, agravando a situação dos plásticos no meio ambiente.

Na verdade, as empresas se uniriam a iniciativas globais, como a Alliance to End Plastic, da Ellen MacArthur Foundation, para parecer que fazem parte da solução, embora sejam, na verdade, a força motriz do problema.

Os principais estudos de caso analisados ​​no relatório enfocam os Estados Unidos, Escócia, França, Áustria, Espanha, República Tcheca, Japão, China, Quênia, Uruguai e Bolívia, com um breve exame também do Reino Unido, Portugal e Holanda.

Segue-se um quadro preocupante, com a Coca-Cola, membro de dezenas de ações pró-meio ambiente, que proclama apoio a certas leis de plástico anti-UE, mas que continua a fazer lobby contra ela na África, China e Estados Unidos. E a Univelever, que se diz empenhada em reduzir o uso de plásticos virgens em 50% até 2025, enquanto, ao mesmo tempo, “empurra” os plásticos de uso único para países como Índia, Filipinas e Malásia. Apenas para citar dois exemplos.

 A Danone, que se refere à necessidade de “sistemas de coleta eficazes”, se salvaria parcialmente, ao se comprometer a contribuir para o cumprimento e superação das metas de coleta obrigatória estabelecidas pelos órgãos reguladores em todo o mundo. Embora, observa Changing Markets, só o fará se as autoridades derem o primeiro passo, sem agir como promotor.

 “Este relatório denuncia a hipocrisia dupla dos poluidores de plástico, que afirmam estar comprometidos com soluções, mas ao mesmo tempo usam uma série de truques sujos para garantir que continuem bombeando plástico barato e descartável, poluindo o planeta em ritmo devastador” – alerta Nusa Urbancic, Diretora de Campanhas da Changing Markets Foundation – “O plástico está entrando no mundo natural na velocidade de um caminhão de lixo por minuto, criando crises para a vida selvagem, o clima e a saúde pública.”

“A responsabilidade por este desastre recai sobre a Big Plastic, incluindo grandes marcas de produtos para a casa, que tem feito lobby por uma legislação progressiva por décadas, ainda culpando o público pela sujeira, ao invés de assumir a responsabilidade por suas ações.”

Com o coronavírus tudo piorou: explorando os temores das pessoas que temem o contágio das superfícies, os fabricantes estão pedindo revisões regulatórias sobre o meio ambiente, apoiando o plástico de uso único como alternativa contra o Covid-19.

O que, infelizmente, foi bem-sucedido: muitos estados nos Estados Unidos suspenderam de as proibições de sacolas plásticas e muitas empresas estão optando por sacolas plásticas e talheres de uso único, proibindo ou limitando os reutilizáveis.

 As empresas defenderam-se argumentando que, onde os resultados ainda não foram alcançados, o compromisso não falhou, mas continua com determinação e convicção.

No entanto, a situação não mudou e, muito provavelmente, irá piorar.

O relatório está disponível aqui.

 Fonte: Changing Markets Foundation

Condividi su Whatsapp Condividi su Linkedin
Nascida e criada em São Paulo, é publicitária formada pela Faculdade Cásper Líbero e Master em Programação Neurolinguística. Trabalha como redatora publicitária, redatora de conteúdo e tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por animais e viagens, morou no Canadá e no Uruguai, e não dispensa uma oportunidade de conhecer novos lugares e culturas.
Você está no Facebook?

Curta as mais belas fotos, dicas e notícias!

Você está no Pinterest?

As fotos mais bonitas sempre contigo!

Siga no Facebook
Siga no Pinterest