O degelo das geleiras está se acelerando e “vai dar origem a uma das maiores crises já vistas”

Condividi su Whatsapp Condividi su Linkedin

O recuo das geleiras, que agora continua em um ritmo muito acelerado, está empurrando nosso planeta para uma crise humanitária com consequências muito mais dramáticas do que o esperado. Em particular, o derretimento das geleiras no Himalaia e na América do Sul ameaça o abastecimento de água de milhões de pessoas. O alerta vem da professora Jemma Wadham, uma glacióloga britânica de renome mundial e diretora do Cabot Institute for the Environment da University of Bristol. Mas Wadham não é a única a nos alarmar.

“Quase todas as geleiras do mundo estão diminuindo e perdendo massa”, avisa uma equipe de pesquisa internacional, que publicou recentemente um estudo na revista Nature. E os alpinos estão derretendo em um ritmo impressionante. Em suma, a perda de geleiras está dando origem a uma das maiores catástrofes já vistas.

Cerca de 70% da água doce da Terra é armazenada em rios congelados que estão derretendo cada vez mais rápido devido ao aumento das temperaturas globais. E essa perda maciça de gelo representa um sério risco, especialmente para áreas do mundo em desenvolvimento, onde milhões de pessoas dependem das geleiras para obter água potável.

“Trabalhar no Himalaia e nos Andes me fez perceber que isso está levando a uma grande crise humanitária em todo o mundo” – explica o professor Wadham, que passou os últimos 20 anos estudando como as geleiras ao redor do mundo estão reagindo à crise climática. – “Se conseguirmos manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5 ° C, podemos perder cerca de um terço do gelo do Himalaia. Se, por outro lado, continuarmos a aumentar as emissões de gases de efeito estufa implacavelmente, perderemos dois terços do gelo.”

Os habitantes da região do Himalaia estão expostos a maiores riscos

Outro estudo recente, publicado na revista Science Advances, revelou que a taxa de recuo das geleiras do Himalaia dobrou desde o final do século 20 e os especialistas estão muito preocupados com os residentes da área.

“São 250 milhões de pessoas, uma população quase quatro vezes maior que a do Reino Unido, vivendo nesta região que depende de rios alimentados pelo degelo glacial” – explica Jemma Wadham – No período de seca, a torneira glacial se abre e abastece a água. Mas se a torneira estiver fechada, a situação é muito difícil.”

A professora Wadham está muito familiarizada com o assunto, que estuda há mais de vinte anos. Ela também dedicou o livro “Rios de Gelo” ao derretimento das geleiras, que começou a escrever após passar por uma cirurgia para remover um tumor cerebral.

“Enquanto me recuperava, percebi que corria o risco de perder minha vida e estava apaixonado por compartilhar algumas das incríveis descobertas que fiz nos últimos 25 anos com um público mais amplo”, diz a glaciologista. 

 É necessária uma mudança radical para evitar consequências catastróficas

A professora Wadham percebeu pela primeira vez a enorme ameaça representada pela crise climática para as geleiras durante uma viagem à Groenlândia em 2008.

“Trabalhar na Groenlândia me fez apreciar a vastidão de uma calota de gelo e a enorme quantidade de água doce contida em uma calota de gelo” – explica – “A gente pode ver a quantidade absolutamente fenomenal de água que acaba nos oceanos. Você tem que ver com seus próprios olhos para realmente entender.”

Infelizmente, as geleiras da Groenlândia estão derretendo a taxas assustadoras, conforme revelado por monitoramento recente. Para a professora Wadham não há mais tempo a perder e uma mudança radical de direção é necessária para evitar consequências danosas não apenas para a biodiversidade, mas para toda a humanidade.

“Temos que fazer uma mudança radical agora e isso envolverá escolhas incômodas para todos, tanto para os indivíduos quanto para as instituições” – exorta a especialista – Não podemos mais esperar e ficar parados assistindo.”

Fonte: The Independent Science Advances / Nature

Condividi su Whatsapp Condividi su Linkedin
Após terminar o bacharelado e o mestrado em tradução, tornou-se jornalista ambiental. Ganhou o prêmio jornalístico “Lidia Giordani”.
Você está no Facebook?

Curta as mais belas fotos, dicas e notícias!

Você está no Pinterest?

As fotos mais bonitas sempre contigo!

Siga no Facebook
Siga no Pinterest