Acredite: nem o solo do deserto aguenta mais tanto calor

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O solo do deserto depende de diversos fatores ambientais como localização, clima e os minerais presentes na área. Contudo, é possível afirmar que ele é majoritariamente um solo arenoso, com pouca umidade e falta de nutrientes.

Mesmo sendo limitado, a vegetação e fauna locais são dependentes do solo, que se adapta de acordo com cada região. Entre as características da vegetação do deserto, por exemplo, estão uma variedade de cactos e suculentas e outras formas de vida que requerem pouca água para a sobrevivência.

O responsável por essas características é o solo criptobiótico, um dos tipos de solo do deserto também conhecido como biocrosta que serve como uma camada protetora, cheia de microorganismos essenciais para o ecossistema. Sem ele, a biodiversidade da área não seria capaz de sobreviver ao clima quente e seco.

Em comparação com o resto do solo, o solo criptobiótico é fácil de identificar. Caracterizado por uma areia preta, com aspecto queimado, ele possui uma superfície irregular que se estica entre a vegetação escassa.

As terras secas compõem 40% da superfície terrestre, sendo o lar de aproximadamente 2 bilhões de pessoas. Em comparação, a biocrosta cobre cerca de 12% dessas superfíces.

Embora sua importância para o ecossistema, o solo criptobiótico acaba sendo negligenciado globalmente em termos de pesquisa. A partir disso, um estudo em progresso desde 1996 foi fundado com o objetivo de acompanhar as biocrostas do deserto. Fundado pela Universidade do Norte do Arizona, o estudo conta com dados que remontam a 1967 e promove a conscientização sobre esse solo do deserto, analisando sua integridade e os danos causados por atividades humanas.

Especialistas se referem ao solo criptobiótico como a pele do deserto, uma vez que é repleto de microorganismos que possibilitam a absorção da água da chuva para a sobrevivência do ecossistema em geral. Essa absorção é feita por uma trilha de fibras pegajosas derivada de cianobactérias.

As fibras têm um poder de resistência à tração, que possibilitam sua resistência aos ventos fortes característicos do deserto. Contudo, elas são vulneráveis à forças de compressão, como pegadas de seres humanos e marcas de pneus. Ao serem comprimidas, as fibras, que são características da alta exposição solar, acabam soterradas sem a incidência da luz. Mesmo capazes de se auto-reparar, a intervenção humana pode afetar temporariamente essa habilidade das fibras.

Contudo, outras ações interferem na saúde do ecossistema. As mudanças climáticas, por exemplo, contribuem para uma mudança estrutural dentro do deserto.

A população de líquens fixadores de nitrogênio, um dos habitantes do solo do deserto, decaiu desde 1996. Dados anteriores apontavam que cerca de 19% desses organismos habitavam a biocrosta, porém, devido às mudanças climáticas esse número caiu para 5% em 2019.

A descoberta feita pela pesquisa da Universidade do Norte do Arizona mostra um novo limite de temperatura para o solo árido.

Com a dificuldade de apontar um só motivo para essa mudança, outros estudos tentaram recriar as ações das mudanças climáticas no solo. Em uma pesquisa divulgada pela European Geosciences Union, por exemplo, cientistas usaram lâmpadas de calor para aquecer parte da crosta do deserto do Colorado. Os resultados mostraram que, mesmo um aumento de 2ºC a 4ºC poderia delimitar o desaparecimento da vegetação desértica.

Sem o solo criptobiótico não haveria solo no deserto. Agindo como uma cola, a biocrosta impossibilita a erosão e, consequentemente, a deslocação da areia para outros locais, como rios e até mesmo para os pulmões humanos.

A sua perda também resultaria na escassez de vegetação, uma vez que os bancos de sementes também seriam levados pelo vento. Esse tipo de solo não só possibilita a absorção da água, como também permite o crescimento de plantas, a fertilização do solo, armazenamento de carbono e reduz deslizamentos de terra.

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Nascida e criada em São Paulo, é publicitária formada pela Faculdade Cásper Líbero e Master em Programação Neurolinguística. Trabalha como redatora publicitária, redatora de conteúdo e tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por animais e viagens, morou no Canadá e no Uruguai, e não dispensa uma oportunidade de conhecer novos lugares e culturas.
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