Elefantes mortos em Botsuana: se a culpa não é da caça, o motivo poderia ser ainda pior

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Desde o início de março, centenas de elefantes estão morrendo em Botsuana, na África e as causas até então ainda não foram esclarecidas. O mistério das mortes continua se arrastando há meses, levantando questões políticas do país.

Ali existem conflitos entre pessoas e animais selvagens, que têm a ver com destruição de propriedades, agricultura e mortes humanas.

A demora nas investigações alerta para o fato de as autoridades demonstrarem não estar no controle da situação.

Segundo informações da NBC News, carcaças de pelo menos 67 elefantes adultos foram encontradas em maio, como disse Oduetse Koboto, secretário interino do Ministério do Meio Ambiente do Botsuana, em entrevista coletiva na sexta-feira, 17. Mas levantamentos aéreos confirmam um total de 281 espécimes mortos, embora 356 carcaças tenham sido relatadas.

São várias as causas que podem levar à morte os elefantes – da caça furtiva a fatores ambientais como seca e falta de alimentos… ou simplesmente a velhice.

Mas a caça furtiva como causa mortis foi descartada rapidamente porque as presas dos elefantes – o principal atrativo do comércio ilegal de marfim – foram encontradas intactas.

Comparado com seus vizinhos Zimbábue, Angola e Namíbia, o Botsuana há muito tempo proíbe a caça de elefantes e é um país líder nos esforços contra esta prática. Cerca de 130.000 elefantes vivem ali, 18.000 dos quais se alimentam nas imediações dos locais onde as carcaças foram encontradas.

“Esta não é uma mortalidade muito significativa”, disse Cyril Taolo, diretor interino do Departamento de Vida Selvagem e Parques Nacionais, na entrevista de sexta-feira. Mas os conservacionistas pensam o contrário, e estão cada vez mais preocupados dada a vulnerabilidade da espécie, em ter de lidar com uma ameaça totalmente desconhecida.

“É preocupante”, diz Keith Lindsay, bióloga da Oxford, especializada em conservação de elefantes: “se for uma doença, pode ser catastrófico“.

Envenenamento

Mas se esses espécimes não foram mortos para retirada do marfim, por velhice ou de antraz, por qual motivo teriam morrido?

Aí é que surge a hipótese do envenenamento por razões relacionadas à exploração de terras e agricultura. Poderia haver muitos interesses em jogo.

Os resultados dos testes demoram e, para o governo, a desaceleração foi causada por restrições relacionadas à pandemia de coronavírus. Mas os especialistas também são céticos quanto aos atrasos.
As autoridades do Botsuana dizem que estão investigando meticulosamente tudo, inclusive enviando os resultados dos testes para outros países alegando transparência.

Fato é que envenenamento ou doenças são causas ainda não descartadas. A maneira como os animais morrem – muitos caem de cara no chão – e os avistamentos de outros elefantes andando em círculo, indicam algo que potencialmente ataca seus sistemas neurológicos.

Outros fatores levantados nas investigações

National Geographic destacou outras hipóteses levantadas pelos pesquisadores para tentar explicar tantas mortes em pouco tempo.

  • Fome ou desidratação – Descartada pelo fato de ter ocorrido chuvas intensas há pouco tempo e as áreas verdes estarem vivas.
  • Toxinas na água – Descartada pelo fato das cianobactérias viverem na superfície e os elefantes beberem água no meio dos corpos, em vez das extremidades.
  • Antraz – O Departamento de Vida Selvagem e Parques Nacionais de Botsuana eliminou o antraz pela dificuldade de analisar os casos, pois segundo os especialistas, é necessário que o sangue dos elefantes mortos seja colhido poucas horas depois de morrerem. Quando um corpo começa a se decompor, outras bactérias o invadem, tornando difícil a análise. Ao que parece, essa hipótese não foi totalmente descartada.
  • Envenenamento – É possível que habitantes locais estejam envenenando os elefantes devido à destruição das plantações. Se essa suspeita for confirmada, as autoridades terão de trabalhar com comunidades afetadas pelos elefantes que tiveram suas terras danificadas.
  • Vírus da encefalomiocardite – Morte súbita por problemas neurológicos, transmitida pelas fezes de roedores. Se for constatado esse vírus, as autoridades terão que trabalhar no desenvolvimento de recursos para combatê-lo, pois atualmente são escassos.
  • Micróbios assassinos – Bactérias e vírus que anteriormente não eram letais para determinadas espécies, podem evoluir e tornarem-se mortíferas. Essas mudanças podem ser desencadeadas por alterações climáticas, nas paisagem ou nos hospedeiros dos micróbios. Contudo, a temperatura na região não aumentaram, tornando essa hipótese pouco provável.

Enfim, vários fatores continuam sendo investigados e a descoberta do real motivo pode ajudar a salvar o ecossistema. Entretanto, é importante ficar atento ao fato de que, como disse Lindsay:

“a única coisa que mata elefantes rapidamente, são as próprias pessoas.”

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