O mundo fracassa no objetivo comum de parar com a destruição da natureza, diz a ONU

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Nos últimos 10 anos, apesar das boas intenções, os habitats naturais continuam a desaparecer e um grande número de espécies estão em vias de extinção, devido às atividades humanas e aos subsídios governamentais prejudiciais ao meio ambiente.

Esse fato é descrito no mais recente relatório Global Biodiversity Outlook 5 (GBO-5), publicado pela Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica, que oferece uma visão geral sobre as condições da natureza. Esse é um relatório sobre os avanços no cumprimento das 20 metas globais de biodiversidade, acordadas em 2010 e com prazo até 2020. Infelizmente, como destaca o dossiê, a humanidade está em uma encruzilhada e os objetivos propostos não foram alcançados. Somente 6 foram atingidos, mas, mesmo assim, parcialmente, incluindo os que diziam respeito a áreas protegidas e espécies invasivas.

No entanto, apesar dos governos não terem conseguido proteger 17% de área marítima e 10% dos habitats marinhos, 44% das regiões vitais da biodiversidade estão agora sob proteção, um aumento de 29% em relação a 2000.

Foram alcançados apenas 6 de 20 objetivos

Em relação às chamadas Metas de Biodiversidade de Aichi, definidas em 2010, as análises e as últimas descobertas científicas mostram que apenas 7 dos 60 “elementos” (critérios de sucesso), entre os 20 objetivos, foram alcançados e 38 mostram progressos. Em 13 itens, nenhum progresso foi feito ou foi indicado um desvio da meta. Para 2 itens, o nível de progresso é desconhecido. A conclusão do relatório é que, de 20 metas, apenas 6 foram parcialmente alcançadas até o prazo de 2020.

O objetivo principal, que era reduzir pela metade a perda dos habitats naturais, incluindo florestas, não foi atingido.

De acordo com o relatório, cerca de 260 mil toneladas de partículas de plástico acumularam nos oceanos, impactando severamente os ecossistemas marinhos, muitas vezes com implicações ainda desconhecidas.

Mais de 60% dos recifes de coral do mundo estão ameaçados, principalmente devido à pesca predatória e práticas destrutivas, e a meta de 2015 de minimizar essas ameaças já está perdida. Também colaboraram com isso a crise climática, a acidificação dos oceanos e o desenvolvimento costeiro.

Agora, o que precisamos é acelerar e obter mais colaborações para alcançar resultados positivos para a natureza, conservando, restaurando e usando a biodiversidade de forma justa e sustentável. Se não fizermos isso, a biodiversidade continuará a ser perdida com as mudanças no uso da terra e do mar, com a superexploração,as  mudanças climáticas ,a poluição e espécies invasoras prejudiciais. Futuramente, isso danificará a saúde humana, a economia e a sociedade, com efeitos prejudiciais principalmente para os povos indígenas e comunidades locais”, afirmou Inger Andersen, Diretor Executivo do PNUMA.

As 8 transformações principais para deter a deterioração da natureza

O relatório também destacou as 8 principais transições necessárias para desacelerar e interromper o declínio acelerado da natureza.

  1. Transformações em terras e florestas: preservar ecossistemas intactos, restaurar ecossistemas, combater e reverter a degradação, além de fazer um planejamento espacial em escala de paisagem para evitar, reduzir e mitigar as mudanças na utilização de terra.
  2. Transição para a agricultura sustentável: redesenhar os sistemas agrícolas por meio de abordagens agroecológicas e inovadoras, melhorando a produtividade e, ao mesmo tempo, minimizando os impactos negativos sobre a biodiversidade.
  3. Utilizar sistemas sustentáveis de alimentação: possibilitar dietas sustentáveis e saudáveis com maior ênfase na diversidade de alimentos, principalmente à base de plantas e um consumo moderado de carne e peixes, assim como fazer cortes drásticos nos resíduos relacionados ao abastecimento e consumo de alimentos.
  4. Transição sustentável da pesca e dos oceanos: proteger e restaurar os ecossistemas marinhos e costeiros, reconstruir a pesca e fazer gestão da aquicultura e outros usos dos oceanos para garantir a sustentabilidade e assim melhorar a segurança alimentar e as condições de vida.
  5. Transição entre cidades e infraestruturas: implementar “infraestruturas verdes” e criar espaço para a natureza nas construções visando melhorar a saúde e a qualidade de vida dos cidadãos, além de reduzir a pegada ambiental.
  6. Transição sustentável de água doce: iniciar uma abordagem integrada que garanta os fluxos de água exigidos pela natureza e pelas pessoas, melhorando a qualidade da água e protegendo habitats críticos, além de controlar espécies ameaçadoras e permitir a recuperação dos sistemas de água doce das montanhas para as costas.
  7. Atransição para uma ação climática sustentável: aplicar soluções baseadas na natureza, juntamente com uma rápida eliminação do uso de combustíveis fósseis, de forma a reduzir o alcance e os impactos das mudanças climáticas, proporcionando benefícios positivos para a biodiversidade e a outros objetivos de desenvolvimento sustentável.
  8. Atransição para a biodiversidade One Health inclusiva: fazer a gestão de ecossistemas, incluindo os ecossistemas agrícolas e urbanos, bem como o uso da vida selvagem, através de uma abordagem integrada, para garantir ecossistemas e pessoas saudáveis.

Esse relatório emblemático ressalta que a humanidade está em uma encruzilhada em relação ao legado que desejamos deixar para as futuras gerações”, disse Elizabeth Maruma Mrema, secretária executiva da CDB. “Muitas coisas boas estão acontecendo ao redor do mundo e devem ser comemoradas e incentivadas. No entanto, a taxa de perda de biodiversidade não tem precedentes na história da humanidade, e as pressões estão se intensificando. Os sistemas vivos da Terra estão comprometidos. E quanto mais a humanidade explora a natureza, mais prejudicamos nosso próprio bem-estar, segurança e prosperidade. Com a degradação da natureza surgem novas oportunidade para a disseminação de doenças devastadoras, como o coronavírus desse ano, que atingiu humanos e animais. Nosso tempo é curto, mas a pandemia também mostrou que grandes transformações são possíveis quando precisam ser feitas.”.

Mas o tempo é cada vez menor.

Clique aqui e veja o relatório completo da Global Diversity Outlook.

Fonte: Unep

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Nascida e criada em São Paulo, é publicitária formada pela Faculdade Cásper Líbero e Master em Programação Neurolinguística. Trabalha como redatora publicitária, redatora de conteúdo e tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por animais e viagens, morou no Canadá e no Uruguai, e não dispensa uma oportunidade de conhecer novos lugares e culturas.
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