Resistência: após violenta Ação de Despejo, Quilombo Campo Grande será reconstruído em MG

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Uma ação de despejo autorizada pelo governo de Minas Gerais em plena pandemia não fez o Quilombo Campo Grande deixar de ser o que sempre foi: um lugar de resistência.

O Quilombo Campo Grande, localizado no sul de Minas Gerais, teve seis casas destruídas durante uma ação policial violenta que usou de tratores para derrubar, inclusive, uma escola. Apesar da covardia que deixou várias famílias desabrigadas, ainda mais em meio a uma pandemia, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) irá reconstruir a história dos acampados, que foram despejados de suas casas devido a uma ordem de reintegração de posse de um terreno de 52 hectares de uma usina falida, a Ariadnópolis.

Como informou o Repórter Brasil, a ação de despejo ensejou em aglomeração ao contar com cerca de 150 policiais militares usando de bombas de efeito moral contra os trabalhadores rurais. Segundo o MST:

“A mobilização do aparato policial promoveu aglomeração expondo não somente as famílias sem-terra, mas também toda a população da região à propagação do Coronavírus, inclusive grávidas, idosos e outras pessoas do grupo de risco”.

A terra do acampamento Quilombo Campo Grande foi ocupada pelo MST há 22 anos e tornou-se, desde então, um lugar de produção para 450 famílias. A antiga usina, desativada na década de 1990, deixou uma enorme dívida fiscal e trabalhista.

As reações contra o governo de MG vieram em cascata nas redes sociais. No Twitter, a hashtag #zemacovarde ocupou o primeiro lugar entre os assuntos mais comentados na rede social, informa a reportagem. Vários artistas também manifestaram seu apoio à comunidade através de suas redes sociais, como Wagner Moura e Bela Gil. O governo de MG usou a força policial do estado de forma desmedida contra trabalhadores, idosos e crianças.

Terra produtiva. Café orgânico

Além de a usina ter uma dívida milionária pendente, a terra ocupada há mais de duas décadas produz um dos cafés mais puros da região do sul de Minas. Segundo Roberto Carlos do Nascimento, um dos moradores do acampamento:

“Um grande diferencial é que nosso café é um produto puro. Não existe mistura no nosso café. Nós realizamos o processo de classificação do nosso café, separamos por lote, por qualidade do nosso produto. Não existe mistura: é um café 100% arábico sem nenhum produto que venha descaracterizar seu sabor original”.

Esse produto orgânico e agroecológico, o café Guaií, é produzido na maior zona produtora de café do Brasil. A marca conseguiu, há oito anos, fazer a transição para uma produção livre de agrotóxicos e insumos químicos, de acordo com o Brasil de Fato.

No Quilombo Campo Grande existem 11 acampamentos e são produzidas quase 1000 hectares de café por plantio. Trata-se de um lugar com alto valor social e ambiental – talvez por isso mesmo haja tanta gente poderosa querendo destruir essa história.

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.
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