Carapiá: planta medicinal poderosa, em risco de extinção. Uso popular e benefícios

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Carapiá é uma planta que pode ser considerada, hoje, nativa do Brasil, nas encostas da Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, amplamente utilizada pelos índios, caboclos, povos do mato, sertanejos e quilombolas. Suas folhas são consideradas planta medicinal, e sua raiz, um tubérculo poderoso. Porém, hoje, essa planta está com sérios riscos de extinção.

Carapiá: características da planta

Carapiá, nome científico Dorstenia cayapia Vellozo, genêro Dorstenia (o mesmo das embaúbas e fícus) e família Moraceae.

É uma espécie primitiva do ponto de vista geológico, e ao mesmo tempo evoluída, se considerar as suas estruturas morfológicas (nervação, adaptação e resistência). Teria surgido no período Cretáceo, há cerca de 100 milhões de anos, quando a América do Sul e África ainda estavam parcialmente unidas.

A raiz é de cor amarelada, aroma agradável e muito fibroso, tanto que depois de preparado ou cozido, ele fica com aparência de fios enrolados.

Na língua tupi, significa pênis-de-macaco, uma alusão à sua forma de inflorescência.

Seus nomes populares são:

  • caiapiá verdadeiro
  • carapiá
  • umbrófila
  • chupa-chupa
  • liga-liga
  • figueirinha e figueirinha da terra.

A planta é rasteira, costuma dar em meio à vegetação, mata nativa e próxima a brejos porque cresce em solo arenoso, mas resiste a ambientes mais secos. Seu crescimento acontece de forma natural, porque os frutos expulsam as sementes que vão nascendo ao redor.

Planta vulnerável, ameaçada de extinção

Na lista apresentada pelo Ibama, as Dorstenias estão na categoria de plantas vulneráveis ameaçadas de extinção.

Atribui-se esse fato, principalmente, à perda de vegetação nativa que influi diretamente no crescimento natural do carapiá, sendo altamente sensíveis à destruição da floresta e degradação ambiental.

Outro fator que ameaça o carapiá, é atribuído ao comércio de ervas medicinais que, com extrativismo predatório, utilizam a raiz para extração do princípio ativo da furocumarina e para serem arrancados, perde-se a planta inteira. Os rizomas são vendidos para ervanários e laboratórios químicos e farmacêuticos.

Princípio ativo e benefícios medicinais

A composição química do rizoma é feita de furocumarinas, terpenos, óleos essenciais, ácido dorstênico e ácidos graxos.

As furocumarinas são fotossensibilizantes, com atividade sobre o sistema cutâneo, podendo ser utilizada na cura do vitiligo e psoríase.

Segundo um trabalho apresentado pelo agrônomo André Furtado Carvalho, em sua pesquisa de conclusão do curso para a Universidade Federal de Uberlândia, o carapiá possui ação analgésica e anti-inflamatória, tendo sido utilizada na Europa numa epidemia que devastou Londres no século XVII, conforme documentos que apontam que o médico Nathaniel Hodges utilizou a raiz num medicamento na época.

Ainda, segundo Carvalho, estudos extensos demonstraram que o carapiá é rico em propriedades terapêuticas tais como:

  • tônico purgativo e digestivo
  • vomitivo
  • afecções da pele
  • antisséptico
  • antiespasmódico
  • febrífugo
  • antidiarreico
  • diurético e
  • para acelerar consolidação de fraturas.

No mercado convencional, é muito comum encontrar medicamentos produzidos por indústrias farmacêuticas, que utilizam e sua composição, rizomas de Dorstênia, principalmente em remédios para combater cólicas menstruais e distúrbios da menopausa.

Num levantamento feito em 2007, no mercado Central de Belo Horizonte, todas as lojas de plantas medicinais possuíam o carapiá, sendo indicado para

  • reposição hormonal
  • para bronquite
  • para fortalecer o sistema imunológico
  • antipirético
  • expectorante
  • contra cólicas e afecções uterinas.

Sabedoria e uso popular

O escritor Laurentino Gomes, famoso escritor de livros como 1808, 1822,1889 e o mais recente, Escravidão, publicou em seu Twitter, um vídeo de uma visita que ele fez ao quilombo Chacrinha dos Pretos, em Minas Gerais, e conversou com a “Tuquinha”, uma quilombola em sua cozinha, mostrando comidas típicas, como feijão com farinha, feijoada e quem estava lá, o carapiá.

Segundo Tuquinha, a raiz é colhida na beira do brejo, bem próximo da água.

Dentre os povos da mata, o carapiá é comumente utilizada como um antídoto para mordida de cobras e em casos de intoxicação por alimentos, por causa da sua ação digestiva e vomitiva.

É usada também para aromatização de fumo.

Para saber mais, você pode assistir esse vídeo disponível no Youtube:

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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