Síndrome de Stendhal: a estranha reação que abala turistas em Florença

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Alguns turistas que visitam Florença podem começar a sentir sintomas que poderiam ser de uma intoxicação alimentar ou até de pânico, como coração acelerado, mãos úmidas, pernas bambas, estômago embrulhado. Aparentemente, essas sensações têm a ver com a grande quantidade de obras de arte da cidade.

A Síndrome de Stendhal é considerada uma condição psicossomática causada pela exposição à abundante riqueza artística de Florença.

Seu nome vem do escritor francês Marie-Henri Beyle, mais conhecido pelo seu pseudônimo Stendhal, que, em 1817, descreveu sua visita à capital da Toscana:

“fiquei em uma espécie de êxtase com a ideia de estar em Florença… fui acometido de uma forte palpitação do coração… minha força vital se esvaiu de mim e andei com medo constante de cair no chão.”

Em um estudo, foram observados 106 pacientes, todos eles turistas, que sofreram vertigens, palpitações, alucinações e despersonalização quando observavam obras de arte como as esculturas de Michelangelo e as pinturas de Botticelli.

O diagnóstico? Ataques de pânico, causados pelo impacto psicológico das obras de arte e da viagem.

E os casos da síndrome continuam a ser verificados até hoje. “Ela ocorre normalmente 10 a 20 vezes por ano em certas pessoas que são muito sensíveis ou que talvez tenham esperado a vida inteira para vir à Toscana”, afirma Simonetta Brandolini d’Adda, presidente da fundação Amigos de Florença.

“Essas obras de arte emblemáticas — as obras de Botticelli, o Davi de Michelangelo — são realmente extraordinárias. Algumas pessoas ficam desorientadas; pode ser estonteante. Vi muitas vezes pessoas começarem a chorar”, relata ela.

O Nascimento de Vênus, de Botticelli, parece ser um estímulo específico para a síndrome de Stendhal.

“Já tivemos pelo menos um ataque epilético em frente à pintura”, afirma Eike Schmidt, diretor da Galeria Uffizi.

Um senhor de 68 anos também sofreu um ataque cardíaco na Galeria Uffizi, em 2018.”

Ele contou o episódio: “Eu me aproximei do Nascimento de Vênus, de Botticelli, e, enquanto admirava aquela maravilha, minhas lembranças desapareceram.”

“O diagnóstico não foi de síndrome de Stendhal, como alguns pensavam de forma mais romântica, mas a obstrução de duas artérias coronarianas. Talvez, ao admirar o Nascimento de Vênus, elas tenham decidido que não haveria nada mais belo para observar e se contraíram permanentemente!”, segundo Olmastroni.

O problema enfrentado por muitos profissionais para descrever a síndrome de Stendhal como distúrbio psiquiátrico é a dificuldade de analisar seus sintomas com relação a indisposições mais genéricas que frequentemente atingem os turistas.

“Às vezes, na Galeria Uffizi, alguns visitantes têm ataques cardíacos ou se sentem mal”, afirma Cristina di Loreto, psicoterapeuta que vive e trabalha em Florença. “Mas pode ser apenas a permanência em um espaço fechado com centenas de outras pessoas. Pode ser agorafobia, não Botticelli.”

Para alguns especialistas, as expectativas dos turistas sobre Florença são muito altas, alimentadas pela onipresença das suas obras de arte em diversos meios de comunicação. Tudo isso se torna excessivo quando eles finalmente visitam a cidade.

“Aqui em Florença, como em Veneza, você respira arte”, declarou o psicoterapeuta Paolo Molino, entre sanduíches de lampredotto (tripas) no Mercado de Sant’Ambrogio, em Florença. “Em qualquer canto do centro da cidade, você se depara com algo bonito. É como levar um tapa no rosto.”

Mas Molino concorda com Di Loreto que é difícil descrever a síndrome de Stendhal como uma condição própria ou distinguir seus sintomas, que podem também caracterizar viajantes fatigados, desidratados ou esgotados de outras maneiras. Sua preocupação não é com a possibilidade de Florença matar os turistas, mas sim de turistas matarem Florença.

“Florença é como a Disneylândia da arte”, afirma ele. “Eu não gosto disso. Gosto de lugares onde as pessoas possam morar — gosto de vir falar com o rapaz do lampredotto, de poder andar sem precisar enfrentar multidões.”

Molino mora em Florença desde que era criança e agora faz parte da maioria dos florentinos que não conseguem viver perto do centro histórico.

“Eu nunca vou para o centro da cidade se puder evitar”, conta ele. “É movimentado demais.”

De qualquer forma, a arte geralmente não é um risco para a saúde, mas sim um tônico para o corpo e para a alma.

 

Fonte: bbc

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Nascida e criada em São Paulo, é publicitária formada pela Faculdade Cásper Líbero e Master em Programação Neurolinguística. Trabalha como redatora publicitária, redatora de conteúdo e tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por animais e viagens, morou no Canadá e no Uruguai, e não dispensa uma oportunidade de conhecer novos lugares e culturas.
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