Perucas de cabelo humano pode ser de prisioneiros de campos de concentração chinês

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Oficiais da alfândega norte-americana apreenderam, para investigação, no Porto de Nova Iorque, um carregamento de 13 toneladas de produtos de beleza vindos da China, dentre eles, perucas, com suspeitas de terem sido feitas com cabelo humano de pessoas que estão presas em campos de concentração chinês.

Segundo o jornal CNN, a operação ocorreu no dia 02 de julho deste ano. O carregamento partiu de Xinjiang, na China, e os EUA acreditam em fortes indícios de possíveis violações dos direitos humanos, trabalho forçado e de prisão de uigures, uma minoria étnica predominantemente muçulmana com uma cultura e idioma distintos dos chineses.

Os uigures

Eles vivem, em sua maioria de 11 milhões aproximadamente, em Xinjiang, região rural autônoma no noroeste da China e o Departamento de Estado dos EUA estima que mais de um milhão de uigures foram detidos em uma rede massiva de campos de concentração, onde eles estão “sujeitos à tortura, tratamentos cruéis e desumanos, como abuso físico e sexual, trabalho forçado e morte”.

Em dezembro de 2019, o jornal The New York Times já denunciava a existência de perseguição aos uigures e possível existência de um campo de concentração.

Segundo o jornal, a ordem das autoridades chinesas foi direta e urgente, os aldeões de minorias muçulmanas devem ser forçados para empregos, dispostos ou não, sendo impostas cotas e, as famílias que se recusassem a ir junto, seriam penalizadas com prisão.

O governo chinês alega que os moradores uigures e cazaques são “trabalho excedente rural” e são uma população subempregada que ameaça a estabilidade social, por isso a necessidade de “coloca-los” em um trabalho estável e supervisionado e aprovado pelo governo, para eliminar a pobreza e retardar a disseminação do extremismo religioso e da violência étnica.

Possivelmente uma prova

No Twitter está sendo divulgado um vídeo, supostamente de uigures prisioneiros, embarcando em trens cujo destino é o campo de concentração chinês.

Qualquer ligação com os campos de concentração nazistas pode não ser mera coincidência.

Repressão chinesa internacional

Em agosto de 2019, o jornal The Atlantic, já noticiava que mesmos os uigures que viviam na Europa não estavam livres da repressão chinesa. A reportagem traz a história de Ibrahim Ismael, uigure que fugiu com sua família de Xinjiang, em 2011, e que não podem voltar para casa, onde pelo menos 1 milhão de uigures estão detidos em campos que Pequim diz ser para ‘reeducação’, mas que na verdade trata-se de verdadeiros campos de concentração.

Segundo o jornal, os uigures que moram na Bélgica, Finlândia e Holanda revelaram que a China usa tática descarada de vigilância, chantagem e intimidação para impedir que eles revelem ao mundo as barbaridades praticadas pelo governo chinês.

À medida que a repressão aumentava, foram surgindo alguns corajosos ativistas dispostos a arriscar a própria vida e a de familiares que ainda vivem na China, para divulgar ao mundo as barbaridades que vêm ocorrendo.

É o caso do ativista Halmurat Harri, um uigur e cidadão finlandês, cujos pais foram detidos em Xinjiang, em abril de 2017. Ele relatou que é arriscado falar pelo Wechat, o aplicativo de mídia social chinês, porque ele pode ser facilmente monitorado pelo governo.

Segundo o ativista,

“ Os uigures que conheci me disseram que, à medida que a vigilância e as detenções em Xinjiang aumentavam desde 2017, as ligações de parentes pararam por completo”.

Halmurat afirma que não queria ser ativista, apenas é um filho que queria falar com sua mãe. E com o silêncio, começou a aumentar a necessidade dos que estão fora da China de irem a público denunciar essa barbárie.

Em agosto de 2018, o ativista partiu em uma “excursão pela liberdade” na Europa para aumentar a conscientização sobre a detenção de uigures na China.

Além das perseguições e ameaças, os uigures acreditam que o governo chinês utiliza, inclusive, de espiões para monitorar a atividade deles.

Em fevereiro de 2019, dois indivíduos vestidos como estudantes, mas identificados pela polícia como integrantes da equipe consular chinesa, interromperam uma conferência acadêmica em Estrasburgo, na França, onde uma ativista falava sobre a situação dos uigures em Xinjiang.

Os indivíduos, disfarçados de estudantes, distribuíram propaganda e desacreditaram a fala de Vanessa Frangville, uma estudiosa francesa da Université Libre de Bruxelles, que iria apresentar uma palestra sobre o tema.

Também há relatos que sempre que há algum congresso, reunião ou evento que irá tratar do tema, sempre tem um representante do governo chinês fotografando ou tentando intimidar os palestrantes.

A história da perseguição

Com dito, muitos uigures são muçulmanos e falam um idioma turco ao invés de chinês e já nos anos 90, uma grande insurreição separatista incentivou a China a aumentar seu controle na região. Após os ataques de 11 de setembro de 2001, Pequim ultrapassou o limite de separatistas, e passou a chamar os uigures de terroristas e a perseguição se intensificou violentamente, sob tal justificativa que, com esse discurso vinculado à fé islâmica da maioria dos uigures, ajudou a China a obter apoio internacional para suas ações.

As olimpíadas de Pequim em 2008, também ajudaram o governo a intensificar e reprimir mais do que nunca os uigures, tomando medidas como monitoramento individual de cada pessoa, como possuir um Alcorão, o chamado comportamento extremista, como o jejum durante o Ramadã, por exemplo.

A medida que as pessoas vão “perdendo pontos” por seus comportamentos individuais, são enviados para um campo, geralmente por um período indeterminado.

Muitos já estão denunciando como campos de concentração de prisão, trabalho forçado, tortura e morte.

É imprescindível que o mundo tome conhecimento e divulgue essa situação, urgentemente.

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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