A pandemia é uma advertência aos sapiens: tudo pode ficar ainda pior!

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Quantas vezes já não ouvimos de alguém ou falamos para alguém que tudo tem um limite?

Se, de fato, tudo tem um limite para nós, para a natureza também.

É essa lição dos gregos que José Mujica, ex-presidente do Uruguai, ajuda-nos a lembrar em um texto que ele escreveu para El Pais sobre o risco que a humanidade está correndo ao esgarçar limites biológicos às custas de decisões políticas.

Com a globalização, os limites naturais foram saturados pela ação humana, que vinha sendo desenvolvida desde a Revolução Industrial. Sem qualquer consciência política – ou aqueles que a tinham agiram de má fé -, fomos expandindo o mundo até ele quase estourar.

Mujica prospecta, em seu texto, algo que diversos analistas já estão predizendo acerca do mundo que nos espera quando a maré da pandemia abaixar: os bancos dos países ricos inundarão suas economias com dinheiro, enquanto este faltará para o lado que mais precisa dele. As consequências desse desequilíbrio serão o aumento das tensões geopolíticas, sobretudo entre Oriente e Ocidente, e o recrudescimento do autoritarismo em muitos países.

É preciso que, para além dos egoísmos locais, interroguemo-nos sobre o caminho que as decisões políticas, em níveis micro e macro, estão nos levando, como propõe Mujica:

“Será que nós, humanos, estamos chegando ao limite biológico da nossa capacidade política? Seremos capazes de nos redirecionar como espécie e não como classe ou país? A política olhará longe para se harmonizar com a ciência? Aprenderemos a lição do desastre ao ver como a natureza revive? A medicina, o ensino, o trabalho digital e a robótica se firmarão e entraremos em uma nova era? Haverá fortes batalhões de médicos capazes de ir lutar pela vida em qualquer lugar ou continuaremos gastando três milhões de dólares por minuto em orçamentos militares? Tudo depende de nós mesmos”.

“Hoje, se eu pudesse acreditar em Deus, diria que a pandemia é uma advertência aos ‘sapiens’“.

Esse exercício de pensamento também aparece nas reflexões do filósofo esloveno Slavoj Zizek sobre a verdadeira provação pela qual nós ainda teremos que passar. Ela não é o lockdown nem o isolamento, mas sim os movimentos feitos pelas sociedades quando “tudo voltar ao normal”.

Em uma análise publicada por Outras Palavras, Zizek explora que o mundo pode ficar ainda pior caso não inventemos um novo modo de viver socialmente. Isso significa não apenas repensar outras formas de vida e de relações sociais e com a natureza, mas – e, talvez, sobretudo – o próprio significado do que é ser humano.

Inventamos um século XX com tanta rapidez que não deu tempo de acompanhar as mudanças. Agora é preciso não apenas interpretá-las como repensar uma nova maneira de estar neste novo século.

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.
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