Homens: dividam também o descanso com as mulheres, não apenas as tarefas

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Carga mental é um dos temas mais recorrentes quando falamos de desigualdade entre casais estabelecida pelo machismo.

O termo carga mental se refere a um trabalho invisível executado pelas mulheres que consiste no planejamento, na organização e na tomada de decisões em assuntos domésticos. Esse trabalho não reconhecido financeiramente, tampouco é valorizado socialmente, e acarreta inúmeros conflitos entre casais.

Invisibilidade

Homens que “ajudam” as mulheres é um tema que já deveria estar ultrapassado. Alguns acreditam que lavar a louça é um gesto heroico, mas na verdade é nivelar muito por baixo as relações entre casais heterossexuais, considerando que esse é um tipo de insatisfação recorrente desse perfil de casal.

O trabalho invisível faz com que a cabeça das mulheres não pare de trabalhar enquanto seus parceiros estão relaxando assistindo a uma série, lendo um livro ou fazendo qualquer atividade pessoal. A carga mental é um problema tão invisível que homens e mulheres não sabem que ele existe e nem de que se trata.

A psicóloga Violeta Alcocer disse ao El Pais que:

“São muitos e muitas que nunca tinham ouvido falar desse conceito e ficam surpresos quando descobrem que sobre elas recai não apenas a maior parte das tarefas, mas também o trabalho de estratégia”.

Quase nada em comum

Esse levantamento de carga pesada feito quase que exclusivamente pelas mulheres não apenas as deixa exaustas como, também, cria um conflito na relação. Como a elas cabe toda a gestão e execução da vida comum, paradoxalmente, esta deixa ter muito pouco em comum, afetando a conexão do casal.

Todo o tempo que a mulher gasta fazendo sozinha as tarefas ou argumentando com o parceiro que ele deve fazer a parte que cabe a ele na vida que deveria ser “em comum” poderia estar sendo gasta de uma forma mais positiva, prazerosa e que unisse os casais.

O desgaste mental para as mulheres é enorme e, inevitavelmente, isso reflete nas suas relações afetivas. Aquilo que deveria unir, ou seja, ambos participarem de atividades comuns, acaba por separar. Para piorar ainda mais a situação, muitos homens dão rótulos às parceiras como: reclamona, chata, implicante, etc. As mulheres muitas vezes se sentem culpadas porque não estão dando conta de fazer uma tarefa que nem é delas e que as sobrecarrega por pura falta de companheirismo e parceria na relação.

Os casais devem evitar esse tipo de conflito. E para isso é preciso que os homens mudem, isto é, que não se coloquem em uma posição de passividade como se a questão não lhes dissesse respeito.

É uma lástima que os casais se estafem e até se separem porque não conseguem dividir o comum. É isso que faz as pessoas se afastarem e perderem a conexão. Se apenas uma pessoa na relação desfruta, enquanto a outra trabalha, chega um momento em que esta se dá conta de que ela pode levar melhor a vida estando só. Como diz o psicólogo Alberto Soler, uma relação não pode dar certo se, enquanto um limpa o banheiro, o outro está vendo um filme na TV.

Desfrutar juntos

Se eu percebo que o meu parceiro teve um dia difícil ou está cansado, eu tomo a frente da situação para equalizar melhor as cargas do dia a dia. Sem esse tipo de cuidado básico, as relações não podem prosperar ou, simplesmente, vão se arrastando deixando um rastro de insatisfação e ressentimentos.

Como Soler ensina, os casais precisam compartilhar o tempo de descanso para fazerem coisas juntos. É isso que fortalece as relações, porque está embutido o apoio, o carinho e o cuidado com o outro.

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.
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