Desastre humanitário: milhares de refugiados são lançados ao mar em pequenos e frágeis botes infláveis

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Segundo reportagem do The New York Times, desde março a Grécia já expulsou, de forma secreta e velada, mais de 1.000 refugiados que pediram asilo ao país.

Não bastasse a recusa em receber os imigrantes, muitos deles oriundos de países em guerra como a Síria, ou em conflito como o Afeganistão, as autoridades gregas estão colocando essas pessoas em barcos, muitas vezes sobrecarregados e, lançando-as em alto mar.

É uma luta quase que perdida nessas condições.

O jornal apresenta evidências obtidas por dois pesquisadores acadêmicos e a Guarda Costeira turca, que analisando os dados, concluíram que pelo menos 1.072 requerentes de asilo foram largados no mar por funcionários gregos em pelo menos 31 expulsões ocorridas desde março deste ano.

O The New York Times informou que conversou com sobreviventes e teve acesso a vídeos e fotografias sobre os fatos, numa delas, o testemunho de Najma al-Khatib, uma professora síria de 50 anos, que disse ter sido levada junto com outras pessoas, inclusive bebês, por autoridades gregas mascaradas, à noite, de um centro de detenção na ilha de Rodes, em 26 de julho, e abandonadas em um bote salva-vidas sem leme e sem motor, antes de serem resgatados pela Guarda Costeira turca.

Najma disse ao The Times:

“Saí da Síria com medo de um bombardeio – mas quando isso aconteceu, desejei ter morrido sob uma bomba”.

Sobreviver nessas condições em alto mar é quase impossível.

De acordo com o Professor François Crépeau, especialista em direito internacional e ex-relator especial da ONU para os direitos humanos dos migrantes, expulsar as pessoas dessa forma é ilegal, representa a tentativa mais clara e direta para impedir a imigração de refugiados. Isso sem falar no uso da força para retirá-los do país e lançá-los ao mar em botes infláveis.

“É um desastre humanitário e de direitos humanos”, lamenta o especialista.

As autoridades gregas negaram que tenham se envolvido em atividades clandestinas e um porta voz do governo, Stelios Petsas, afirmou que a

“A Grécia tem um histórico comprovado de cumprimento de leis, convenções e protocolos internacionais. Isso inclui o tratamento de refugiados e migrantes.”

Situação complicada

De fato, desde a crise imigratória em 2015, a Grécia vinha sendo um dos países europeus mais complacentes com os refugiados, mas quando passou a receber pouca ajuda financeira internacional enquanto assistia dezenas de milhares de requerentes de asilo definhar em campos miseráveis ​​em suas ilhas já sobrecarregadas, o assunto começou a ser tratado de outra forma.

Depois das eleições do novo governo conservador do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, no ano passado, a Grécia adotou uma linha muito mais dura contra os migrantes, a maioria sírios expulsos da Turquia, o que já gerou vários conflitos por causa disso.

Aliado ao governo mais duro, veio o coronavírus, e especialistas acreditam que esse foi um dos motivos para o endurecimento das ações, com a expulsão de centenas de migrantes que tiveram negado o direito de buscar asilo, mesmo já tendo desembarcado em solo grego. Já que a vontade política estava lá, a pandemia só foi a desculpa que faltava.

É verdade que refugiados podem trazer vírus, e que a recepção deles precisaria ser tratada com certos cuidados que requerem financiamento. Também é verdade que por trás da crise migratória europeia existirão interesses financeiro e político para que as coisas continuem como estão. Mas o fato é que pessoas inocentes estão pagando por um problema que elas não pediram para ter. É uma crise humanitária! Até quando?

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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