Cultura do cancelamento: o racismo no vídeo do Leblon nos ensina a não julgar

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O vídeo da mulher no quiosque do Leblon é mais um daqueles casos que viraliza, porque escancara nossas enormes diferenças sociais misturadas com pobreza, racismo, ignorância e principalmente desigualdade social: gente “poderosa” contra gente “pobre e humilde”.

Mas este vídeo vai além.

Não justificando absolutamente o comportamento da mulher – que evidentemente estava fora de si – e não justificando o estar fora de si pois a embriaguez, no final das contas, mostra o que somos em grau de aumento – mas o que vê ali é uma falta de humanidade para ambos os lados. Há uma estimulação constante à mulher falar para que o caldo entorne porque, quanto mais impropérios ela dissesse, mais shares o vídeo teria.

Tem também, talvez de leve, uma espécie de assédio quando ela diz “vocês estão fudidos”, ouve-se um “queria meu amor… sabadão desse”… Tem também um desdém ao dizer “mulher privilegiada branca”. Tem uma humanidade perdida para ambos os lados, uma vontade de cancelar (cultura do cancelamento) porque, em vez de ouvir e apaziguar, tem um fala, fala mais que estamos gravando!

Não justificando as terríveis falas da mulher – “você é uma merda”, “você não é nada perto de mim”, “eu sou filha de homem poderoso”- a cena acaba virando deprimente quando se sabe depois que o pai da moça não é poderoso e que a moça está internada.

Se a vítima, o Julio, trabalhador do quiosque, se sentiu ofendido – e com toda razão pois ele foi ofendido – e se ele se sentiu pior ainda porque perdera recentemente a mãe por Covid-19 e estava em um momento abalado na vida, a ofensora também pode estar passando por uma situação difícil quando nós, muitas vezes sem sabermos, sem conhecê-la, disparamos julgamentos como lixo humano e coisas afins.

Não justificando esta mulher, nem aquele homem que ofendeu o entregador de aplicativo, menos ainda o desembargador sem máscara, o que podemos pensar antes de aplicar o cancelamento é chamar a atenção da mídia e das pessoas para uma análise mais apurada que possa favorecer o surgimento de uma sociedade mais justa e humana. Freud explica que quem humilha o outro tem baixa autoestima e como se vê, no final das contas, essa mulher nem era poderosa, ao contrário, é um ser que, assim como muitos de nós, pode estar passando por um período de vulnerabilidade (perda de emprego, de entes queridos).

Pessoas assim precisam de um outro tipo de tratamento que não seja o ódio e o cancelamento.

Doenças psiquiátricas ou psicológicas, embriaguez, abuso de drogas, nada justifica comportamentos desrespeitosos, racistas e humilhantes. Mas o mesmo também serve para nós. Por que em casos assim a gente revida com a mesma moeda?

Claro que existem casos e casos mas, antes de partirmos pro ataque, vamos tentar entender a situação? Menos cultura do cancelamento, mais diálogo, mais compreensão e mais compaixão… Um mundo melhor é possível.

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Ingressou no curso de Ecologia pela UNESP e formou-se em Direito pela UNIMEP.
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