Quem ama trai? Devemos perdoar a traição? E quando a traição é patológica?

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A traição pode ocorrer de várias formas, financeira, moral, entre amigos, no trabalho e por aí vai. Aqui vamos falar da traição amorosa.

Partimos do princípio que se trata de um relacionamento que não existe combinado para pulada de cerca, porque a depender do combinado, a coisa pode ser bem diferente.

Mas afinal, o que é traição?

Trair, verbo que, por definição do dicionário, significa enganar, delatar, ser infiel, não cumprir, revelar o oculto.

A traição pode acontecer de várias formas.

Hoje, com o mundo digital, as pistas para uma traição podem estar a alguns cliques ou likes.

Responder stories ou manter conversas pelo direct é traição? Existe tipos de traição? Existe traição que é pior do que a outra? Existe traição no poliamor ou no relacionamento aberto?

Tudo vai depender, exata e justamente, do combinado de cada casal. Cada pessoa é quem vai decidir o limite de cada um e isso tem que ser muito conversado.

Hoje em dia, mais do que nunca, temos a sensação de que todo mundo trai, ou já foi traído, ou se ainda não traiu, pensa em trair ou mantém um “contatinho” no WhatsApp para casos de “emergência”.

Mas porque essa necessidade de trair?

Seres desejantes como condição humana

Para alguns psicanalistas e filósofos como Saussure, Jakobson, Lévi-Strauss, Hegel e Lacan, o ser humano se constitui num ser desejante.

O ser humano nasceu para querer e desejar e a base do desejo humano está no desconhecido, no novo, e saber viver com as próprias insatisfações – afinal não podemos e não conseguimos ter tudo – é a chave da “boa vida” e da satisfação pessoal.

O que fazer com esse desejo é a resposta para saber pontuar que tipo de relacionamento melhor você se adapta.

Para trazer isso no contexto das relações amorosas, é perfeitamente normal que uma pessoa admire e deseje outras pessoas e mesmo assim mantenha o interesse e o amor pelo parceiro(a), numa condição onde tudo fica no campo do imaginário. É até saudável.

Mas quando esse desejo não é controlado e a solução é trair enganando e magoando o outro, aí isso é um problema.

Traição por impulso…

A traição por impulso, aquela que acontece no calor do momento, por uma única vez, seja porque a pessoa não conseguiu se controlar, ou estava com raiva do a(o) parceira(o), em muitos casos é encarada de forma mais amena, existindo uma tendência da pessoa traída em perdoar.

Ao que parece, é mais fácil entender uma situação isolada que teria ocorrido por impulso ou de forma incontrolável.

Também parece que esse tipo de traição é menos ruim ou não é tão horrível quanto aquela traição que se perpetua no tempo, como nos casos de pessoas que têm vida dupla.

Mas e quando esse desejo é insaciável e a pessoa não consegue parar de trair?

E quando esse impulso vira um padrão?

…Ou impulso por trair?

Tem pessoas que passam a vida traindo e nunca são descobertas, justamente porque não mantém vínculo com ninguém.

Não deixam pistas, nem rastros.

São seres desejantes que não querem ou não conseguem lidar com esse desejo, precisam dessa eterna sensação do apaixonamento, da novidade, do frio da barriga. Passada essa sensação, recorre-se a outra, e outra e mais outra e, no final, o sentimento é o sempre o mesmo, o vazio.

De acordo com o filósofo Birman, “a desarmonia entre desejo e satisfação desemboca no desamparo” e isso cria no indivíduo um mal-estar resultante dos conflitos impostos pelos laços sociais.

Dentro dessa teoria, para Freud por exemplo, se a cultura é responsável pela repressão dos desejos, os conflitos psíquicos seriam consequências desse “contrato social” forçado, e as causas seriam a falta de percepção dos próprios desejos e a coragem para assumir suas próprias vontades.

Uma das queixas mais comuns dos consultórios dos psicanalistas são pessoas que falam que amam seus parceiros, que querem manter a relação, mas não conseguem deixar de trair, de sentir o gozo do diferente, do novo.

Afinal, é possível trair e continuar amando o (a) parceiro (a)? E quem trai? Também sofre?

Devemos perdoar a traição?

Merecemos ser perdoados? Precisamos perdoar?

Só quem já foi traído sabe a dor que é se sentir enganado. Perdoar é o melhor e o único caminho para se libertar e seguir em frente, independente se junto ou separado da pessoa. Mas o perdão é sempre para si, e não para o outro. O perdão dá à pessoa traída a liberdade de não se sentir nem culpada, nem vítima e de entender que, não podendo haver controle sobre as decisões do outro, o perdoa para não carregar o fardo pesado de uma traição que não lhe pertence. O fardo pesado da traição deveria ficar com o traidor (se ele tivesse alguma moral).

Pois então, será que quem trai também sofre? Se de fato a traição é algo que incomoda, que causa culpa, com certeza a pessoa que trai também sofre. A tendência é achar que haverá problema somente se o parceiro descobrir e que enquanto isso não acontecer vai ficar tudo bem, mas a realidade mostra outra coisa.

Os traidores podem ficar atormentados com o sentimento de culpa e, para se punirem, como não têm coragem de encarar os fatos, boicotam o relacionamento ou se autoboicotam para estragar momentos felizes, que acreditam não serem merecedores.

De outro lado, as pessoas que traem também podem ficar paranoicas e muito desconfiadas dos seus parceiros, porque esse sentimento de culpa, de traição fica ali rondando o imaginário, desperta a desconfiança, afinal, quem é capaz de enganar também acredita que a outra pessoa pode fazer a mesma coisa.

Em alguns casos a pessoa sofre por não conseguir agir de forma diferente. Muitos não têm coragem de assumir quem são e do que gostam, e de encarar as consequências que isso traz, seja nos relacionamentos atuais ou futuros.

E o que fazer quando a traição vira patológica?

Traição patológica

Segundo o psicólogo Carlos Lacerda do Canal Youtube Nós da Questão, ter prazer através do sexo com outras pessoas que não o(a) parceiro(a), experimentar novas emoções, envolver-se com pessoas novas e toda a maravilhosa sistemática da paixão, pode custar um preço alto, pago por quem trai.

De um lado o comportamento que não conseguem evitar, do outro a culpa pelo engodo, e a vida vira um dilema entre o prazer e a expiação.

Então, seria a hora de perguntar o porquê desse comportamento. De questionar o grau de dificuldade em renunciar aos desejos e vontades.

Para o psicólogo Lacerda, amar é fazer renúncias:

 “a vida é feita sempre de custos e benefícios e nunca terá somente os benefícios se não decidir pagar os custos, e os custos implicam em abrir mão de coisas e fazer escolhas”.

As escolhas deveriam ser por vivem em paz, com tranquilidade e bem-estar e não numa montanha russa de emoções que trazem angústia, arrependimento e culpa.

Com exceção daqueles que não sentem nada, podemos até colocá-los na categoria dos psicopatas, as pessoas que mantêm relações com outras pessoas sem conhecimento do parceiro, carregam por si só, um sentimento de culpa. São as pessoas que criam infernos e castigos para elas mesmas, que caminho elas estão se dando, que lhe impede de viver coisas honestas?

A traição é um caminho solitário, melhor seria viver um relacionamento livre, aberto e combinado, perfeitamente possível, sendo fiel a você, ao que gosta, aos seus desejos, e por isso, verdadeiro com o outro que poderá de bom grado aceitar os termos dessa relação.

Viver enganando o(a) parceiro(a) com quem divide a cama, e a vida com sexo rápido e corriqueiro com outras pessoas, pode indicar uma necessidade de superficializar as relações para esconder o medo de amar, se aprofundar, e com isso, se decepcionar.

A verdade é que a traição pode ser uma fuga, por medo de sofrer. No fundo, o tesão por todo mundo reflete só um círculo compulsivo por sexo para tapar algum buraco mais profundo.

Será que essa pessoa consegue abrir seu coração com toda essa carga emocional e segurar a barra de ser quem é? Esse é o primeiro passo.

Trair mesmo amando? Pague a conta antes

Para a psicanálise, é perfeitamente possível trair mesmo amando o(a) parceiro(a), mas a pergunta que quem trai deveria se fazer é: por que é preciso enganar a si e ao outro? É possível encontrar pessoas dispostas a se relacionar de várias formas e com vários combinados, de diferentes jeitos, bastando ser honesto com você e com o outro.

É hora de rever a forma como nos relacionamos com as pessoas, colocando a ética e o respeito em primeiro lugar onde não se nega o direito a qualquer liberdade, impulsos e desejos. Porém, antes do jantar, melhor pagar a conta, de preferência, de todos os envolvidos na situação.

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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