Um etnocídio silencioso contra tribos indígenas na Amazônia

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Em Rondônia está acontecendo um etnocídio silencioso contra as tribos isoladas, devido a incêndios, crimes ambientais e ao coronavírus. A denúncia é de Ivaneide Bandeira, coordenadora geral da Associação Kanindé de Defesa Etnoambiental, que atua na defesa dos povos indígenas do estado.

Em apenas 20 dias a ativista perdeu cinco entes queridos para a pandemia do coronavírus e incêndios que continuam a destruir a Amazônia. Ivaneide, que fundou a associação em 1992, conta em entrevista ao DW Brasil a história do drama que se desenrola entre os povos isolados.

Com a destruição do Rio Madeira e de todo o prédio da Funai, não sabemos nem se eles estão vivos”, avisa. “Acho que envelheci uns 20 anos em 2020. Estou nervosa. Em 20 dias nós tivemos cinco mortes. Estou destroçada. A vontade é de chorar. Me sinto inútil ao ver a floresta queimar e as tribos morrerem”.

Já falamos muitas vezes sobre o que está acontecendo com os povos indígenas, sofrendo cada dia mais ataques. A pandemia, os incêndios e a perda de habitat estão contribuindo para o seu extermínio.

Nossa situação é terrível. Estamos extremamente frágeis, vulneráveis e psicologicamente abalados. Esetnocidioá muito difícil dormir à noite. Estamos vivendo uma tragédia humana. Também pensamos nos animais que estão morrendo e na destruição da vegetação. ” Diz a ativista.

Entre os mais ameaçados está a Tribo Rondônia. Oito populações isoladas, sendo três do território indígena Uru-eu-wau-wau, e outras cinco distribuídas em áreas de proteção ambiental e no entorno das terras indígenas do estado.

Se os grupos que estão dentro das reservas não estão protegidos, imagine aqueles que estão fora das terras indígenas. Do nada, a Funai colocou fim à frente de proteção do Rio Madeira, deixando toda a área completamente desprotegida. Na frente Uru-eu-wau-wau não há mais recursos humanos suficientes”, acrescenta.

Como sabemos, em janeiro, com o desmantelamento da Funai, o presidente Bolsonaro assinou a ordem para transferir a regulamentação das reservas indígenas para o Ministério da Agricultura, que tinha a tarefa de proteger e promover os direitos dos povos indígenas no país e seu desenvolvimento sustentável.

O desmantelamento não é só da Funai, mas de toda a política indígena. Os servidores públicos não têm o apoio necessário para cumprir sua missão e não há vontade política. E nos Estados Unidos temos políticos que incentivam a invasão de áreas protegidas”, afirma a ativista.

Fonte: DW Brazil

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Nascida e criada em São Paulo, é publicitária formada pela Faculdade Cásper Líbero e Master em Programação Neurolinguística. Trabalha como redatora publicitária, redatora de conteúdo e tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por animais e viagens, morou no Canadá e no Uruguai, e não dispensa uma oportunidade de conhecer novos lugares e culturas.
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