Adeus, Aruká: Covid19 mata o último indígena da tribo Juma amazônica

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Último expoente do povo indígena Juma, o guerreiro Aruká Juma morreu de Covid. Agora suas três filhas são as únicas sobreviventes da tribo.

Ele tinha cerca de 90 anos e foi o último guerreiro do povo Juma do Brasil, uma verdadeira memória viva de saberes ancestrais que morreu na última quarta-feira em um hospital em Porto Velho, uma cidade a 120 quilômetros de estrada e duas horas de barco de sua aldeia, onde hoje restam apenas suas três filhas, únicas sobreviventes de uma etnia que, há apenas três séculos, contava com milhares de membros.

Junto com seis outros Jumas, Aruká sobreviveu ao massacre quando jovem para exterminar seus semelhantes encomendados pelos mercadores de borracha e castanha para tomar posse de terras ancestrais, mas não pôde combater a insuficiência respiratória aguda devido a complicações de Covid-19 que está literalmente exterminando os povos indígenas do Brasil. De acordo com as últimas estimativas da Coiab, a nova pandemia de coronavírus já atingiu 34.529 indígenas na Amazônia brasileira, matando mais de 250 pessoas de 38 grupos étnicos diferentes só na Amazônia:

“Coiab e Apib alertaram que os povos indígenas recém-contatados correm risco extremo. O último sobrevivente do povo Juma está morto. Mais uma vez, o governo brasileiro mostrou-se criminalmente silencioso e incompetente. O governo assassinou Aruká”, reclamou, em nota áspera (que você pode ler no final deste artigo), a coordenação das organizações indígenas da Amazônia brasileira (Coiab), a articulação dos povos indígenas do Brasil (Apib) e Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas isolados e recentemente contatados (Opi).

Sua tribo havia sido contatada em meados do século XX e imediatamente acusada pelos cronistas de canibal, perversa e feroz, mas foram, como sempre, os interesses econômicos que desviaram a realidade. Nesse massacre ao qual Aruká sobreviveu, os indígenas Juma foram caçados e 60 morreram.

A morte deste grande guerreiro hoje oferece um motivo para voltarmos o nosso olhar para a história destes povos dizimados pela colonização portuguesa e hoje pela indiferença do nosso Governo, apesar de serem essenciais para a conservação da Amazônia.

Aruká foi transferido para um hospital em janeiro e submetido ao que o Ministério da Saúde de Brasília chama de tratamento precoce: medicamentos como a cloroquina, cuja eficácia nunca foi comprovada cientificamente ou endossada pela OMS. Antes de ser intubado no hospital, Aruká teria feito um pedido à filha: o de ser enterrado na aldeia onde havia construído a primeira maloca, onde estava enterrada sua mãe.

Várias lideranças de outros povos indígenas participaram do enterro do guerreiro Aruká na noite da última quarta-feira.

Sua morte “é uma perda devastadora. A história de sua vida foi e continua sendo um símbolo da tremenda luta que o povo Juma vem travando”, disse Edson Carvalho, da ONG  Kanindé, que queria homenagear o guerreiro caído com um poema:

Aruká
Guerreiro
Venceu massacres
Racismo
Destruição da Amazônia

Ele ensinou que o canto da floresta
é como as águas que descem do rio
Ele decidiu subir
e encontrar os Encantados.

 

Nosso pai lutou muito, ele era um guerreiro, e vamos continuar sua batalha”, declararam as filhas Borehá, Maita e Mandeí, as únicas guerreiras de um povo extinto. A filha mais velha disse que a partir de agora pretende seguir os passos do pai:

“Agora quero me tornar como ele para lutar como meu pai. Meu pai era um guerreiro. Ele era o chefe, agora eu sou o chefe, mas agora a linhagem acabou.”

Fonte: Amazônia Real

 

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