A guerra de Putin tem mais um efeito nocivo: a russofobia

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Conforme o exército russo de Vladimir Putin avança na Ucrânia (mesmo que muitos dos soldados não saibam exatamente o que estão fazendo lá e por que estão invadindo),avança também a russofobia contra a diáspora espalhada pelo Ocidente, num fenômeno semelhante ao que vivenciou a comunidade muçulmana após os atentados de 11 de Setembro.

Estudantes russos enfrentaram boicotes e foram excluídos de palestras em universidades na República Tcheca, onde vivem 50 mil russos. No Reino Unido, O deputado conservador Tom Tugendhat, que preside o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Comuns, defendeu a expulsão dos cidadãos russos.

Essa onda de cancelamentos é tão devastadora na cultura quanto a guerra é na vida das pessoas. Filmes russos foram banidos de festivais; exposições de artistas russos que já estavam programadas foram canceladas e muito mais. Aqui no Brasil, um retaurante chegou ao cúmulo de retirar do cardápio um prato russo que adotamos como nosso: o strogonoff. As pessoas agem e pensam como se o cidadão russo comum fosse o inimigo.

Até Dostoiévski, que morreu há 141 anos sofreu com a nova censura: a Universidade Bicocca, na Itália, achou certo suspender o curso de quatro aulas que o escritor Paolo Nori daria sobre a obra do autor russo. Mas, felizmente, após inúmeros protestos, a Universidade decidiu manter o curso.

E tem mais: O Carnegie Hall e o Metropolitan Opera de Nova York anunciaram que não apresentarão mais artistas que apoiaram Putin.

“Um novo macarthismo está perseguindo a América: o cancelamento, ou ameaça de cancelamento, de artistas, músicos e atletas russos”, atestou o economista Tyler Cowen, colunista da Bloomberg, ao referir-se à perseguição de simpatizantes do comunismo que foram banidos da cena cultural dos EUA na década de 1950. “Há alguma evidência clara de que boicotar artistas russos fora da Rússia vai ajudar a Ucrânia?” questionou.

Para os muçulmanos esta relação com o Ocidente é familiar e teve no 11 de Setembro de 2001 um divisor de águas. A chamada Guerra ao Terror e atentados terroristas em capitais europeias desencadearam sentimentos de desconfiança e medo do Islã e, por consequência, atos violentos e discriminatórios contra a comunidade, que se intensificaram nas duas últimas décadas e se enraizaram nos discursos políticos.

Pouco mudou em relação ao momento atual. Uma pesquisa realizada para a ABC News e o Washington Post após a invasão da Ucrânia revelou que 80% dos americanos veem a Rússia como hostil ou inimiga dos EUA, o maior índice registrado em 40 anos.

O “frenesi russofóbico” relatado na semana passada pelo chanceler Sergei Lavrov, durante a Conferência sobre o Desarmamento da ONU, juntava no mesmo contexto, e de forma intencional, as ações do Ocidente para deter a Rússia e o ódio aos cidadãos russos.

A generalização é tóxica, é totalmente equivodada e só é benéfica justamente a uma pessoa: o próprio Putin: afinal, ela mistura os interesses do Kremlin e os da população russa. Ao “cancelarmos” a cultura russa, quem sofre é a população que pode vir a ter uma certa “mágoa” doa ocidente. Além disso, nos tornamos mais pobres culturalmente e intelectualmente.

Fonte: g1

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Nascida e criada em São Paulo, é publicitária formada pela Faculdade Cásper Líbero e Master em Programação Neurolinguística. Trabalha como redatora publicitária, redatora de conteúdo e tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por animais e viagens, morou no Canadá e no Uruguai, e não dispensa uma oportunidade de conhecer novos lugares e culturas.
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