Além da guerra, refugiadas ucranianas agora sofrem com o tráfico de pessoas

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Imagine como deve ser viver em um país em guerra, em uma cidade devastada e bombardada várias vezes por dia.

Bombas, banhos de sangue, trauma. Sem escolas para as crianças, sem assistência médica para seus pais, sem um teto seguro sobre sua cabeça em muitas regiões do país.

Você tentaria fugir? Dez milhões de ucranianos sim. A maioria buscou refúgio em outras partes da própria Ucrânia, ainda não afetadas, e 3,5 milhões de pessoas fugiram para outros países.

São principalmente mulheres e crianças, já que os homens de até 60 anos  foram obrigados pelo governo ucraniano a ficar no país e lutar.

Desalojados e desorientados, frequentemente sem ideia de aonde ir, refugiados são obrigados a confiar em estranhos. E mesmo que deixem seu país em guerra, ainda não estão seguros.

“Para predadores e traficantes de seres humanos, a guerra na Ucrânia não é uma tragédia”, alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em uma postagem no Twitter. “É uma oportunidade – e mulheres e crianças são os alvos.”

Redes de traficantes já são muito ativas na Ucrânia e em países vizinhos em tempos de paz. Com a guerra, é criada uma cortina de fumaça perfeita para aumentar esse tipo de atividade.

Karolina Wierzbińska, coordenadora da Homo Faber, uma organização de direitos humanos baseada na cidade de Lublin (Polônia), disse que as crianças são uma preocupação enorme.

Com processos de registro informais – especialmente no começo da guerra -, na Polônia e em outras regiões de fronteira, crianças e jovens que viajaram sozinhos desapareceram, e seu paradeiro continua desconhecido.

A refugiada que virou voluntária

Margherita Husmanov, uma refugiada ucraniana de Kiev, de pouco mais de 20 anos, chegou à fronteira havia duas semanas, mas decidiu ficar para ajudar a impedir que outros refugiados caíssem nas mãos de pessoas erradas.

@Twitter/RONCHECK

“As mulheres e as crianças vêm para cá fugindo de uma guerra terrível. Elas não falam polonês ou inglês. Não sabem o que está acontecendo e acreditam no que qualquer pessoa diga a elas.”

“Qualquer pessoa pode aparecer nesta estação. No primeiro dia que eu me ofereci como voluntária, eu vi três homens da Itália. Eles estavam procurando mulheres lindas para vender no tráfico sexual. Eu chamei a polícia, e eu estava certa. Não era paranoia. É terrível.”

Margherita diz que oficiais locais estão um pouco mais organizados agora. A polícia patrulha a estação regularmente. As pessoas que estavam tão presentes nas primeiras duas semanas (a maioria homens, segundo nos disseram), com pedaços de cartolina anunciando viagens para destinos atraentes, praticamente desapareceram.

Transporte seguro

Elżbieta Jarmulska, uma combativa empreendedora polonesa, é fundadora do grupo Women Take The Wheel Initiative (Iniciativa Mulheres Tomam a Direção). Seu objetivo, segundo ela, é oferecer a refugiados ucranianos uma “bolha de segurança”.

“Essas mulheres já passaram por tanta coisa, fugindo a pé ou de carro através de uma zona de guerra e então elas são expostas a medo e exploração aqui? Eu não tenho palavras para descrever isso”, diz ela.

Ela já recrutou mais de 650 “incríveis mulheres” polonesas, como ela as descreve, fazendo viagens de carro de ida e volta, o quanto elas podem, até a fronteira entre Polônia e Ucrânia para oferecer um trânsito seguro a outros refugiados.

Ela, como é chamada, vai até um centro de refugiados, onde ela faz questão de mostrar seu cartão de identificação e comprovante de residência a oficiais antes de perguntar se alguém gostaria de uma carona até Varsóvia (Polônia).

Uma das refugiadas em seu carro já tinha ouvido falar dos riscos de tráfico sexual e exploração, numa rádio ucraniana, mas decidiu fazer a viagem de qualquer maneira. Ela precisava fugir para sobreviver e salvar seus filhos.

Mas deixar a fronteira de forma segura não significa que o perigo para acabou para elas.

Nos próximos dias, semanas e até mesmo meses, no entanto, eles precisam de um lugar para dormir, se alimentar, enviar suas crianças para a escola, assim como obter um trabalho para poderem se manter. Essas necessidades deixam os refugiados vulneráveis.

Líderes da União Europeia aprovaram de forma unânime uma medida para abrir o mercado de trabalho, as escolas e o acesso a serviços de saúde para os ucranianos. No entanto, como grupos de defesa dos direitos humanos têm argumentado, refugiados precisam de ajuda para se registrar e ser informados sobre seus direitos.

Uma das voluntárias disse que quando você está em um lugar desconhecido, sem amigos, sem dinheiro e sem direitos, pode fazer coisas que nunca imaginou. Essa mulher foi atraída para a prostituição quando era mais jovem. Isso, diz ela, é em grande parte o motivo pelo qual ela está ajudando refugiadas ucranianas agora.

A voluntária ainda afirma:

Elas não falam polonês ou inglês. Não sabem o que está acontecendo e acreditam no que qualquer pessoa diga a elas.

Qualquer pessoa pode aparecer nesta estação. No primeiro dia que eu me ofereci como voluntária, eu vi três homens da Itália. Eles estavam procurando mulheres lindas para vender no tráfico sexual. Eu chamei a polícia, e eu estava certa. Não era paranoia. É terrível.

Fonte: terra

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Nascida e criada em São Paulo, é publicitária formada pela Faculdade Cásper Líbero e Master em Programação Neurolinguística. Trabalha como redatora publicitária, redatora de conteúdo e tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por animais e viagens, morou no Canadá e no Uruguai, e não dispensa uma oportunidade de conhecer novos lugares e culturas.
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