Projeto em SP dá acolhimentos e aulas de defesa pessoal para mulheres e LGBTI+

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O Piranhas Team chegou para sua primeira oficina em São Paulo no fim do mês passado, onde tem ficado por seis fins de semana consecutivos no Shàoshèng, em Santa Cecília. Criado há seis anos no Rio, o projeto já treinou mais de 300 alunos com base nas artes marciais e na filosofia de se preparar física e emocionalmente contra ataques de ódio.

O projeto surgiu a partir de um grupo de amigos LGBTI+ que, à época, trabalhavam em parceria com o PreparaNem, um cursinho preparatório para o Enem voltado para travestis e transexuais em vulnerabilidade social.

As aulas oferecidas pelo grupo são baseadas em artes marciais como o jiu jitsu e o kung fu, este último usado como ponto de partida para as oficinas em São Paulo. Mas além de golpes, o Piranhas Team ensina também a escutar, acolher e construir um senso de comunidade entre si, algo que às vezes se torna o motivo principal para alguns alunos.

Na primeira oficina, uma lição importante foi identificar também quando não entrar em confrontos físicos. Saber quando você pode evitar uma situação violenta ou fazer com que ela aumente de proporção é fundamental, e há casos em que o envolvimento de armas brancas ou de fogo torna impossível uma reação, por menor que ela seja.

Gabriel Guarino, o instrutor de 29 anos responsável por guiar a primeira turma paulista do Piranhas Team, explica que a diferença dessas oficinas para uma aula de arte marcial comum é que além de treinar, eles também trabalham a “escuta ativa”.

“É também criar uma comunidade, viver a vida junto e lidar com os problemões que acontecem com a gente. Aqui, estruturamos para poder falar de violência, ouvir histórias e a partir disso criar uma habilidade corporal para lidar com a violência do cotidiano.”

No primeiro encontro do grupo, o principal exercício físico ensinado foi o de reagir a uma abordagem hostil na rua e durante a roda de conversa, os alunos contaram histórias de assédio sexual, agressões físicas e discriminações por gênero e/ou orientação sexual, alguns ainda emocionados ao reviverem aqueles traumas.

Juno Cipolla, homem trans de 30 anos e editor de livros infantis, foi um dos participantes que dividiram um episódio de violência com a turma. No caso dele, a agressão veio de um vizinho, quando morava na Vila Sônia e foi surpreendido com a guarda baixa. “Quando eu virei pra sair, ele pulou o muro, me puxou por trás, me jogou no chão e chutou a minha cara”.

Acho que, realmente, eu poderia ter falado qualquer coisa ali que ele viria pra cima de mim. Mas agora, já com esse primeiro encontro, eu sei que não deveria ter virado de costas pra ele e que se eu tivesse ficado de frente, provavelmente ele não teria feito nada, porque foi muito covarde de me atacar assim”, conta. “Eu sempre me considerei uma pessoa forte, nunca soube usar a própria força. Sempre quis aprender a me defender porque já fui alvo de várias violências, então fico nervoso de não saber o que fazer.”

A terapeuta Yve Oliveira, de 26 anos, explica que seu objetivo ao frequentar as oficinas do Piranhas Team é não só aprender a se defender, mas também passar esses conhecimentos adiante.

“Sinto que a parte mais psicológica de eu conseguir reagir melhor a uma situação de medo ou violência fui adquirindo por questões de vivências mesmo. No dia a dia a gente vive muitas situações”, pontua.

Fonte: msn

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Nascida e criada em São Paulo, é publicitária formada pela Faculdade Cásper Líbero e Master em Programação Neurolinguística. Trabalha como redatora publicitária, redatora de conteúdo e tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por animais e viagens, morou no Canadá e no Uruguai, e não dispensa uma oportunidade de conhecer novos lugares e culturas.
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