Em novo museu de Portugal, brasileiros precisam pagar para ver o ouro levado do Brasil

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Foi inaugurado em Lisboa, em junho de 2022, o Museu do Tesouro Real – uma caixa-forte de três andares que guarda pepitas de ouro de até 20 quilos e 22 mil pedras preciosas, quase todas diamantes, identificadas como nativas da “região apelidada de Minas Gerais” e também de Goiás.

O acervo do museu trata da riqueza que rendeu ao então império escravocrata português, sobretudo no século XVIII, um poderio financeiro sem igual.

“Não tem desconto para brasileiros, não?”, ouve-se na fila de ingressos a 10 euros (cerca de 52 reais). “Infelizmente não”, responde a atendente. “Oxe, mas o ouro não veio do Brasil?”, insiste a voz masculina. “Sim, sim”, sorri a jovem, que teve de ser lembrada de que o casal de turistas tinha direito ao bilhete reduzido para seniores, acima de 65 anos. “Pelo menos economizei 6 euros”, conformou-se Fernando Feijó Dubeux, ao lado da mulher, Teresa Cristina Maia, ambos do Recife (PE).

No totem sobre 1700, aquele recomendado para que fosse visto com atenção, está escrito: “A descoberta de grandes jazidas de ouro e diamantes no Brasil, monopólios da Coroa Portuguesa, está na base do extraordinário enriquecimento do Tesouro Real durante o reinado de João V”, período chamado em Portugal de “Reinado de Ouro” (1707-1750).

Na vitrine de tiaras e adornos femininos está também, por empréstimo da Suíça, a coroa de diamantes e grandes safiras azuis da rainha brasileira de Portugal, Dona Maria II, filha de Dom Pedro I, que reinou até 1853. Além de 86 grandes botões de diamantes que ela mandou retirar de vestes e casacos para fazer outros ornamentos – algo que, ensina o museu, era prática comum entre os monarcas.

O visitante pode apreciar também as condecorações dadas a nobres e altas autoridades. Dentre elas, impressiona, pelo tamanho e pelo brilho, o broche de quase 30 centímetros da Ordem do Tosão de Ouro, com mais de 1.600 diamantes e duas centenas de rubis, pertencente ao então príncipe Dom João, futuro rei de Portugal, Brasil e Algarve, e que teria sido um presente de sua mãe, Dona Maria I, conhecida no Brasil como a rainha louca. 

Isso sem contar os diamantes e as pedras preciosas. Mas nada disso é sequer citado. Sobre o duríssimo e insalubre trabalho de extração mineral, que explorou grande quantidade de mão de obra escravizada, lê-se o seguinte:

“A corrida ao ouro trouxe inúmeros exploradores e aventureiros à região (das Minas Gerais) que, olhando para o chão, não tardaram a encontrar os almejados diamantes em enorme e inédita quantidade, no primeiro quartel do século XVIII.”

Pode-se pensar que as pedras saíram de forma fácil e mágica da natureza. E prossegue a historiografia do museu, que dá protagonismo à qualidade artística das joias em si:

“É esta descoberta que explica a mudança de paradigma na joalharia, que passa a ser definida não pelos metais preciosos, mas sim pelas pedrarias.”

Na inauguração do museu para autoridades e convidados, ocorrida na quarta-feira, 1º/06, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, (equivalente a prefeito no Brasil) fez uma defesa enfática do investimento no novo museu, que consumiu 31 milhões de euros.

“Hoje devolvemos aos portugueses aquilo que é deles, aquilo que é nosso. Mas sabemos que, ao fazê-lo, vamos despertar sentimentos contraditórios (…) sobre o lado mais trágico da nossa história”, afirmou. “Penso que crianças e jovens vão ver peças que, na sua profunda beleza, carregam também a marca do sofrimento, da guerra, das invasões, das fugas, marcas da escravatura, do colonialismo, mas essa é a nossa história que devemos defender todos os dias”, completou.

Ele não mencionou a relação com o Brasil, como também não o fizeram o primeiro-ministro socialista António Costa, que saudou Dona Isabel e Dom Duarte pelo legado da família real, nem o presidente Marcelo Rebelo de Sousa (PSD), que destacou não existir na história de uma pátria, conceito que exaltou, “glória sem miséria”.

E assim segue a história. E nós, brasileiros, seguimos com um sorriso no rosto, enfrentando filas e pagando para ver nossa riqueza nas mãos de outros.

Fonte: Piauí

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Nascida e criada em São Paulo, é publicitária formada pela Faculdade Cásper Líbero e Master em Programação Neurolinguística. Trabalha como redatora publicitária, redatora de conteúdo e tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por animais e viagens, morou no Canadá e no Uruguai, e não dispensa uma oportunidade de conhecer novos lugares e culturas.
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