Crianças na cozinha aprendendo responsabilidade e autonomia desde pequeninas

Condividi su Whatsapp Condividi su Linkedin

Antigamente era comum que crianças pequenas já soubessem manusear utensílios de cozinha com destreza, e as maiores, a partir de 12 anos, já soubessem cozinhar os elementos básicos de uma refeição, como macarrão, arroz, ovo frito, salada.

Também era comum que as crianças identificassem com facilidade os alimentos, sabendo distinguir os legumes das verduras e frutas, até porque costumavam ir ao mercado sozinhas. Por que será que atualmente temos a impressão de que elas estão cada vez menos autônomas e não realizam tarefas simples ou básicas, como cozinhar, por exemplo?

Para responder a essa pergunta, algumas questões podem ser levantadas.

Falta de tempo

Vivemos numa época em que parece que não temos mais tempo para nada. Temos a sensação de estarmos sempre atrasados e acabamos por realizar quase tudo com pressa.

Por vezes, utilizamos de recursos práticos na expectativa de fazermos as coisas sem perder tempo. Trocamos uma caminhada pelo carro, um encontro físico pelas conversas no celular, o fogão pelo micro-ondas e, a comida caseira pela congelada ou pelos aplicativos de entrega.

A falta de tempo acaba afetando a dinâmica da vida familiar, principalmente quando se trata de incluir as crianças e adolescentes na cozinha, ensinamento que demanda tempo, esforço, hábito e sobretudo, paciência.

Pais atarefados acabam optando por uma solução prática ou se forem cozinhar, preferem fazer sem ajuda da criança, justamente para economizar tempo, relegando a oportunidade de incluí-las nessa atividade.

Desinteresse pela vida offline

Outra questão muito importante é a tecnologia cada vez mais presente em nossas vidas e, quando crianças e adolescentes passam muitas horas do dia dependentes de aparelhos eletrônicos, é quase impossível despertar o interesse deles em outras atividades que não sejam a tela do celular, computador ou videogame.

Medos e receios dos pais

Aliado a isso, parece que vivemos numa época em que os pais têm muito medo de que os filhos sofram ou se machuquem e parecem não acreditar na capacidade dos filhos em realizar atividades que muitas vezes podem ser bem simples.

Como essa sensação constante de perigo, os pais estão superprotegendo os filhos o que acaba por afetar diretamente no desenvolvimento de suas habilidades e na construção da sua autonomia.

Inúmeros exemplos mostram que as crianças que realizam tarefas domésticas desde pequenas, obviamente respeitando a idade compatível e o limite de cada um, estão mais propensas a se tornarem adolescentes e adultos mais responsáveis e autônomos.

Uma pesquisa em Minnesota nos Estados Unidos, publicada na revista Developmental Psychology, concluiu que pais superprotetores estavam criando crianças dependentes e frustradas.

Quando falamos no ato de cozinhar, especificamente, o medo dos pais está relacionado ao uso de facas e utensílios cortantes e com o risco de queimaduras com o manuseio do fogão e panelas, óleo ou gordura e alimentos quentes.

Cozinhar é uma escola

Ninguém duvida da importância do hábito de cozinhar. É maravilhoso conhecer os alimentos, seus sabores, texturas e é evidente que esse contato com os alimentos estimula a alimentação saudável e a capacidade das crianças e adolescentes, principalmente.

Além disso, cozinhar é uma escola. Para elaboração de uma receita é preciso envolver a leitura, a matemática para pesos e medidas dos ingredientes, química e física com as transformações por meio de fermentação e cozimento, a cozinha é um verdadeiro laboratório, promove o aprendizado, leva à empatia e a valorização do trabalho.

Mas por que que com tantos benefícios, as crianças e adolescentes estão cada vez mais longe da cozinha?

Um mini guia para começar

Para os pais mais temerosos, vamos elencar algumas atividades que podem ser realizadas pelas crianças para que, quando chegarem à adolescência, tenham autonomia e conhecimento para preparar sua própria refeição.

  • A primeira regra básica é que a criança tem que ter cuidado e não medo!
  • A segunda regra é que a criança deve estar segura e, dependendo da faixa etária, deverá ser supervisionada por um adulto, para, num futuro bem próximo, ser capaz de cozinhar sozinha.
  • A terceira regra é respeitar a personalidade de cada um. As pessoas que convivem diariamente com a criança conseguirão identificar qual o momento de introduzir o aprendizado e melhor forma, identificando “o tempo de cada um”. Pode ser que uma criança mais calma e concentrada poderá manejar um utensílio antes do que outra mais agitada, porém, todas as crianças são capazes de aprender, basta ter vontade de ensinar.

A partir de qual idade

  • 2 anos: as crianças já podem descascar frutas como banana, misturar ingredientes na tigela, amassar com as mãos massas em geral
  • 3 anos: as crianças já podem modelar biscoitos, bolinhos, mexer massas de bolos, usar funil;
  • 4/5 anos: as crianças já podem cortar com facas sem serra frutas macias como banana, kiwi, passar manteiga ou geleia no pão, colocar líquidos em copos, montar uma pizza colocando os ingredientes, escolhendo as folhas da salada;
  • 6/7 anos: as crianças já podem ler as receitas e rótulos, usar medidores, segurar a batedeira, utilizar alguns utensílios como espremedor de alho, de limão, pilão, timer, amassador de batata, balança, centrifuga, liquidificador e espremedor de frutas manual.
  • 8/10 anos: de uma forma geral, nessa idade a criança está pronta para aprender a usar utensílios cortantes, como facas pouco afiadas, como as de mesa, geralmente em alimentos mais fáceis, não tão duros. Nessa idade também estão aptos a começar a utilizar o fogão, aprendendo seus conceitos de segurança. Com o uso do fogão, poderão estourar pipoca, fazer um macarrão instantâneo e abrir ovo.
  • A partir dos 12 anos: de uma forma geral, a partir desta idade já poderão manusear facas em alimentos mais complexos e duros e podem começar a se aventurar sozinhas na cozinha e estarão aptas a fazer comidas simples, como arroz, macarrão, molho de tomate, fritar ovos ou mexidos, omelete, biscoitos, bolos, etc.

A partir daí, é só alegria e comida!

E o mais importante de tudo, os pais têm que se conscientizar que as crianças não vão aprender, e os adolescentes não vão se responsabilizar, se forem poupados das dificuldades ou se não forem incentivadas a fazerem sozinhas e aprenderem por conta própria.

Talvez te interesse ler também:

Condividi su Whatsapp Condividi su Linkedin
Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
Você está no Facebook?

Curta as mais belas fotos, dicas e notícias!

Você está no Pinterest?

As fotos mais bonitas sempre contigo!

Siga no Facebook
Siga no Pinterest