Educação sexual para crianças. Por que é tão importante e como falar sobre isso

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Ninguém se sente muito confortável em abordar esse tema, ainda mais com os filhos, porém não há como escapar – e isso não é aconselhável, de modo algum. A sexualidade é parte da condição do ser humano, logo, sempre está presente. A criança que não recebe a informação qualificada sobre a própria sexualidade, acaba acessando esse tipo de conhecimento de outras formas e isso pode ser bem perigoso.

Uma pesquisa da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, avaliou que os jovens que tiveram uma comunicação contínua sobre sexualidade em casa tornaram-se pessoas com uma sexualidade mais segura. Conversar sobre isso empodera a criança. E se a ideia é garantir a segurança dos filhos, não há outro caminho a não ser o diálogo.

Veja abaixo por que é tão importante conversar sobre sexualidade com os filhos, saiba como fazer isso e confira dicas de materiais disponíveis sobre o assunto.

Por que precisamos falar sobre isso?

Antes de mais nada, alguns dados importantes:

  • O Brasil responde por 40% das novas infecções por AIDS, na América Latina, de acordo com dados da UNAIDS.
  • Uma a cada 5 crianças é filho de mãe adolescente, segundo levantamento do PNAD.
  • O Brasil tem ainda a 7ª maior taxa de gravidez precoce da América Latina (dados da ONU).

Os números são preocupantes, mas muito elucidativos. Não se conversa como deveria sobre sexualidade no âmbito familiar. Com isso, as crianças buscam informação de fora e acabam aprendendo de modo distorcido sobre o assunto, além de ficarem vulneráveis à violência sexual, já que não sabem diferenciar afeto de abuso.

Conversar sobre o tema, de modo natural e respeitando a faixa etária da criança, é importante para que ela não lide com o tema como um tabu e saiba fazer escolhas e agir.

Sexualidade x Sexualização

Um grande problema de falar sobre educação sexual é a confusão que existe entre sexualidade e sexualização. São coisas diferentes.

Sexualidade é um processo natural, diz respeito a ter familiaridade com o próprio corpo e se apoderar dele. É afeto, autoestima, identidade. Faz parte da vida e as pessoas precisam saber lidar com isso.

Já a sexualização é um processo externo, uma adultização e erotização do corpo da criança. Esse é nocivo.

Há em todas as pessoas bem intencionadas um anseio de garantir a segurança da criança. E impedi-las de ter conhecimento qualificado só as deixa mais vulneráveis.

A falta de informação tem dois caminhos: levar a um acesso ineficiente e distorcido e influenciar na tomada de decisões, de modo inadequado.

Gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis e uma sexualidade mal resolvida são peças de um quebra-cabeça que mostra que muitos pais ainda não conseguem lidar com o tema com a naturalidade que deveriam. O processo, obviamente, é herdado. Muitos desses pais não tiveram diálogo sobre sexualidade em casa, e acabam repetindo o mesmo comportamento quando têm filhos.

Vale lembrar que a internet trouxe uma série de avanços para a sociedade, mas permitiu também um acesso fácil a todo tipo de informação, algumas delas bem nocivas. De acordo com uma pesquisa da GuardChild (2018), 70% das crianças e adolescentes entre 7 e 17 anos disseram ter visto pornografia, acidentalmente, enquanto acessavam o ambiente online.

Os pais e educadores podem criar um ambiente de troca segura com os filhos, favorecendo o diálogo e acolhendo as dúvidas. Isso evita que elas aprendam sobre sexualidade, por exemplo, vendo pornografia, o que certamente cria uma imagem distorcida sobre o fato. Além disso, é essencial que as crianças saibam que ninguém pode tocar no corpo delas e que existe diferença entre afeto e abuso. Falar de sexualidade não estimula uma vida sexual precoce, ao contrário, ajuda a criança ao dar ferramentas para ela saber lidar com isso.

Como falar de sexualidade com as crianças, de acordo com a faixa etária

Uma das principais preocupações, no que diz respeito a falar de sexualidade com as crianças, é respeitar a faixa etária delas. Não acelerar, nem dar explicações que elas ainda não são capazes de entender é a chave para ter um bom diálogo sobre o assunto.

Os filhos tendem a dar sinais para os pais de que é hora de falar sobre o tema, principalmente quando começam a fazer perguntas. No entanto, o contato com a sexualidade começa muito cedo, durante a amamentação, de acordo com a doutora em Educação e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Sexualidade do Ministério da Educação e autora do livro “Educação Sexual e Formação de Professores: da Educação Sexual que temos à que queremos”, Cláudia Bonfim.

O início da sexualidade

O toque, o afeto, o vínculo entre os pais, o colo, tudo isso transmite, por meio de mensagens não-verbais o contexto de sexualidade. A descoberta do próprio corpo acontece por volta de 1 ano e meio. Posteriormente, até os 3 anos e meio a criança passa pelo marco de desenvolvimento de controlar as necessidades fisiológicas, colocando-a em contato com seu corpo e mostrando que essa situação pode ser prazerosa. É quando as crianças começam a manipular os próprios órgãos. Nesse momento, não cabe reprimir ou fingir que não está vendo. A melhor saída é explicar que entende que é bom, mas que não pode fazer isso na frente dos outros e precisa ter cuidado para não se machucar, pois é uma região sensível.  O reconhecimento corporal das crianças não é erótico, e sim uma questão de se conhecer, de descoberta.

Nessa fase, é importante também não forçar, nem reforçar comportamentos considerados “masculinos” ou “femininos”, pois isso pode favorecer a ideia de que sensibilidade e fragilidade são coisas “de menina” e que meninos não devem demonstrar sentimentos. O ideal é que, independentemente do gênero, as crianças tenham naturalidade para brincar com qualquer tipo de brinquedo, ou vestir roupas de cores que elas gostem, sem que isso seja uma questão a ser tratada.

Entre 3 e 5 anos

Geralmente, é nessa fase que as perguntas surgem. Quando as crianças começarem a fazer questionamentos “incômodos”, responda, de modo natural e simples. Evite prolongar a conversa e não recorra aos mitos, dizendo, por exemplo, que “bebês são trazidos pela cegonha”. A curiosidade é o principal termômetro de quando elas estão prontas ou não para explicações relacionadas. O ideal é que os pais consigam ensinar o que é amar, o que é afeto, privacidade. Assim as crianças vão conseguir reconhecer e defender o próprio corpo e o corpo do outro.

Entre 6 e 8 anos

Entre 6 e 8 anos, os pais podem buscar apoio de livros para explicar um pouco sobre a natureza, tudo de modo natural. Nessa fase, é essencial ter cuidados no uso da internet, usando filtros para que as crianças não tenham acesso a qualquer conteúdo.

Na adolescência

A partir de 11 anos, as crianças começam a ter educação sexual nas escolas. Embora seja parte da grade curricular, não existem parâmetros muito claros sobre como deve ser esse aprendizado, mas grande parte das instituições de ensino utiliza as aulas de biologia para falar sobre o assunto.

Vale lembrar que educação sexual é tarefa das famílias, mas a escola tem um papel importante nesse aprendizado, principalmente porque é no ambiente escolar que a criança tem mais segurança de que encontrará uma informação mais imparcial sobre aquilo. Muitos pais ainda têm bastante dificuldade de desmistificar e de entender a importância de que os filhos saibam sobre o tema.

Além disso, muitos abusos acontecem no ambiente familiar. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 70% da violência sexual contra as crianças no Brasil ocorre em um contexto doméstico.

Evite também deixar para ter conversas sobre sexualidade quando os filhos já forem adolescentes, pois a resistência deles vai ser maior – e as dúvidas também. Isso se eles já não tiverem tido acesso ao tema, por meio de outras pessoas. Quanto mais naturalidade os pais passarem para os filhos, e o quanto antes inserirem esse tópico nas conversas, mais fácil será o processo.

Livros para ajudar a explicar sexualidade para as crianças

Existe, na literatura, um vasto material que explica a sexualidade para as crianças.

Entre eles é possível destacar alguns exemplos:

Esperamos que as dicas ajudem pais, cuidadores e educadores a enfrentarem o tema da educação sexual da maneira melhor e mais natural possível. Tratar a sexualidade como tabu não apenas é contraproducente, como pode ser prejudicial.

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Paulistana formada em Jornalismo pela Universidade de Santo Amaro, tem o blog Mamãe me Cria e escreve para GreenMe desde 2017.
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