Devemos usar máscaras para se exercitar?

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda três medidas para conter a transmissão do novo coronavirus: isolamento social, uso de máscara e lavagem frequente das mãos. O isolamento social é, de fato, a mais importante destas medidas, devendo as máscaras serem utilizadas sempre que o isolamento não for possível.

A medida em que a quarentena vem sendo gradativamente flexibilizada na maior parte do país, é preciso que se lembre que a pandemia ainda não acabou e que o risco de infecção pelo novo coronavírus ainda é elevado. A decisão entre ficar em casa ou sair para praticar os exercícios ao ar livre, uma vez que permitido pelas autoridades, deve ser avaliada caso a caso.

O uso de máscaras durante a realização de exercícios é uma das principais dúvidas de quem quer retomar a prática de exercícios em ambientes públicos: Elas são eficazes durante os exercícios? Qual máscara usar? O uso da máscara envolve algum risco? Buscaremos responder aqui a cada uma destas perguntas.

O que muda nos diferentes tipos de máscaras?

As máscaras servem como uma barreira para proteger o usuário quando em contato próximo com pessoas infectadas e para proteger as pessoas próximas na eventualidade de o usuário da máscara estar infectado. A maior parte das infecções acontecem a partir de pessoas sem sintomas e que não fazem a menor ideia de que estão infectadas, mas este risco diminui bastante quando a pessoa infectada está usando a máscara.

A proteção oferecida aos contactantes é muito mais efetiva do que a auto proteção. Isso porque é mais fácil reduzir a propagação de gotículas bloqueando gotas maiores quando elas saem da boca de uma pessoa, do que quando elas se dissipam e se tornam muito menores. Enquanto a proteção a terceiros costuma ser relativamente eficaz independentemente do tipo de máscara, a proteção individual varia bastante de acordo com o modelo utilizado:

As mais eficazes para protegerem quem usa a máscara são as N95: como o nome indica, elas foram projetadas para bloquear até 95% das partículas muito pequenas. Para serem efetivas, porém, elas precisam estar muito bem adaptadas ao rosto, para impedir a entrada e saída de ar pelas laterais da máscara.

No caso das máscaras cirúrgicas, a adaptação entre a máscara e o rosto é menor. Apenas cerca de 70% do ar externo se move através da máscara, com os outros 30% entrando pelas laterais. Por este motivo, ainda que a proteção para os contactantes seja significativa, a proteção para o usuário é bastante reduzida quando comparada com a N95.

As máscaras caseiras, por fim, são bastante diferentes umas das outras, mas de fato são ainda menos efetivas para proteger o usuário. Sua função é, basicamente, proteger os contactantes na eventualidade de o usuário da máscara estar contaminado.

Uso de máscara na prática esportiva

Ao falarmos sobre o uso de máscara na prática esportiva, devemos considerar qual o tipo e a intensidade do exercício realizado. As orientações serão totalmente diferentes para uma pessoa que busca fazer uma caminhada rápida ou para um atleta que treina pensando em alto rendimento.

O uso de máscara em atividades de leve intensidade é mais factível, já que o aumento no esforço respiratório é menor, o paciente não sua muito e a adaptação entre a máscara e o rosto é mais facilmente mantida. Em teoria, todas as máscaras descritas acima são factíveis de serem usadas nesta situação, ainda que a dificuldade de respirar seja maior com a N95, seguido pela máscara cirúrgica e, por fim, as máscaras caseiras.

O uso de máscaras em atividades de maior intensidade possui diversos fatores limitantes a serem considerados:

  • Capacidade de proteção: quando duas pessoas estão afastadas por uma distância de ao menos dois metros, usando máscara, em um ambiente sem vento e sem fazer esforço físico, a probabilidade de transmissão do coronavírus torna-se bastante reduzida. O exercício físico, porém, faz com que o esforço respiratório aumente bastante, de forma que o distanciamento também precisa aumentar para continuar seguro. Em alguns casos, pode subir para mais de 10 metros. Este distanciamento é impossível em ambientes como parques ou calçadões de praias, de forma que a eficácia do uso de máscaras para barrar a transmissão do vírus torna-se bastante discutível. A melhor saída, nestes casos, é se exercitar em locais e horários nos quais o contato com outras pessoas será reduzido ao mínimo.
  • Suor: quando as máscaras ficam úmidas, o ar não mais será capaz de atravessar o tecido, de forma que a entrada e saída de ar pela respiração passa a acontecer pelas laterais da máscara, sem que ele seja filtrado. A capacidade de impedir a transmissão do novo coronavírus torna-se bastante reduzida. A troca frequente da máscara até pode ser uma opção nas atividades mais leves, mas manter uma máscara seca em atividades físicas mais intensas é quase impossível.
  • Ajuste da máscara: quanto maior a movimentação, mais difícil de se manter o ajuste entre a máscara e o rosto do atleta. Nos esportes de contato, incluindo o futebol e as modalidades de luta, isso se torna impossível. Muitas vezes, o atleta ficará mexendo na máscara para ajustá-la, o que aumenta ainda mais o risco de contaminação, considerando-se a eventualidade de a máscara estar contaminada.
  • Dificuldade para respirar: a máscara aumenta o esforço necessário para respirar durante o exercício, o que impede a realização de atividades com esforço máximo ou submáximo. Segundo estudo publicado em 2005 por pesquisadores de Hong Kong, o uso de máscaras cirúrgicas ou máscaras N95 levaram a um aumento na frequência cardíaca, aumento na sensação de fadiga e aumento da temperatura quando comparado ao mesmo esforço realizado sem o uso das máscaras.

Existe risco decorrente do uso das máscaras durante o exercício?

A morte de dois estudantes chineses ao se exercitarem com o uso de máscaras levantou um alerta quanto a segurança do uso das máscaras durante o exercício. A explicação para isso seria de que a máscara levaria a um acúmulo do gás carbônico expirado, com risco para intoxicação pelo gás carbônico.

As moléculas de gás carbono, porém, são minúsculas – muito menores do que as gotículas contendo coronavírus que as máscaras foram projetadas para parar – e não serão capturadas por um material respirável. Além disso, as máscaras caseiras recomendadas para a prática de exercícios ou mesmo as máscaras cirúrgicas não são capazes de vedar a saída de ar pelas laterais, o que impede um acúmulo significativo de gás carbônico. O gás carbônico pode, de fato, aumentar levemente com o uso da máscara, mas na grande maioria dos casos isso não será suficiente para colocar o usuário em risco.

As informações são do Dr. João Hollanda, médico ortopedista especialista em joelho e lesões no esporte e médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino.

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