Covid-19: estudo aponta consequências cerebrais graves, mesmo em pacientes com sintomas leves

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Segundo reportagem do jornal The Guardian, neurologistas do Reino Unido relatam que pacientes com sintomas leves da Covid-19 ou em recuperação, apresentaram complicações cerebrais graves ou potencialmente fatais. 

Eles alertaram que receberam pacientes com infecções pulmonares muito leves ou quase inexistentes, enquanto que apresentavam dano cerebral considerável por causa do coronavírus.

Os casos foram publicados na revista de Neurologia Brain e revelaram um aumento do risco de vida dos pacientes que apresentaram Encefalomielite Disseminada Aguda (Adem), na época do primeiro grande surto na Grã-Bretanha.

Biologicamente, a Adem afeta a massa branca do cérebro e apresenta algumas semelhanças com a esclerose múltipla, só que mais grave, porque ocorre de uma única vez e geralmente afeta o paciente com incapacidades a longo prazo.

Segundo um dos autores do estudo, Michael Zandi, consultor do instituto e da Fundação NHS do University College London Hospital,

“estamos vendo a maneira como o SRAS-CoV-2 afeta o cérebro que nunca vimos antes com outros vírus”.

Atenção aos sintomas

Zandi alerta que os médicos, clínicos gerais e profissionais de saúde devem ficar atentos aos pacientes com:

  • sintomas cognitivos,
  • problemas de memória,
  • fadiga,
  • dormência ou fraqueza

e chamar um médico neurologista para avaliar o caso. Ele espera que médicos de todo o mundo fiquem atentos a isso.

Na mesma linha, um estudo feito por pesquisadores norte-americanos, avaliou o impacto da Covid-19 em 24 pacientes e identificou que um dos efeitos se refere ao ataque ao sistema nervoso central.

As consequências neurológicas constatadas nos pacientes incluem

  • derrame,
  • convulsões,
  • confusão,
  • tontura,
  • paralisia e/ou coma.

Segundo o médico neurologista Majid Fotuhi, um dos autores da pesquisa e diretor do NeuroGrow Brain Fitness Center, é urgente a necessidade de mais pesquisas sobre os efeitos de longo prazo da Covid-19 no cérebro e enfatiza a necessidade de os pacientes receberem uma ressonância magnética cerebral antes de deixarem o hospital para verificação da ocorrência de algum comprometimento a fim de evitar e prevenir um possível declínio cognitivo como déficit de atenção ou Alzheimer, no futuro.

Vai chamando de gripezinha…

Na França, médicos publicaram um estudo no periódico New England Journal of Medicine documentando os sintomas neurológicos em pacientes com Covid-19, que variavam de simples dificuldades cognitivas a confusão mental.

Segundo reportagem da BBC, mais de 300 estudos de todo o mundo descobriram uma prevalência de anormalidades neurológicas em pacientes com Covid-19, incluindo sintomas leves — como dores de cabeça, perda de olfato e sensações de formigamento — e graves — como afasia (incapacidade de falar), derrames e convulsões.

No Brasil, pesquisadores da USP e da Universidade da Região de Joinville (Univille), revisando artigos científicos sobre a ocorrência de danos cerebrais em pacientes com Covid-19, encontraram uma série de casos relatados por pesquisadores chineses mostrando que a prevalência de complicações no sistema nervoso central (encéfalo e medula espinhal) e o sistema nervoso periférico (gânglios e nervos) é grande e traz preocupação.

Segundo Jean Pierre Schatzmann Peron, coordenador do Laboratório de Interações Neuroimunes do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, a ideia por trás dessa análise é a compreensão de como o vírus acessa o sistema nervoso central.

Já relatamos aqui que o médico neurologista Thomas Oxley, do Hospital Mount Sinai Beth Israel, em Manhattan, relatou um aumento expressivo de Acidentes Vasculares Cerebrais em pacientes jovens e de meia idade com sintomas leves da Covid-19, e médicos de outros países, como China e Brasil, já vinham relatando a ocorrência de dano cerebral em consequência da Covid-19.

Embora os estudos e pesquisas ainda estejam em fase inicial, até porque tudo o que se refere ao coronavírus é novo e precisará ser validado no tempo, o alerta é sério, o risco é grave e precisamos ficar atentos.

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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