Queda de anticorpos em pacientes com Covid-19 pode afetar duração da vacina e a chamada imunidade de rebanho

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Já falamos aqui que um estudo chinês publicado na revista Nature Medicine identificou que os níveis de anticorpos em pessoas com Covid-19 diminuíram drasticamente depois de 3 meses.

Agora, o jornal The Guardian, publicou um estudo feito pela Universidade King’s College de Londres, que verificou a mesma coisa, ou seja, quedas acentuadas nos níveis de anticorpos dos pacientes 3 meses após a infecção por Covid-19.

Segundo a pesquisa, a presença de anticorpos em níveis elevados no organismo da pessoa funciona como uma vacina natural e a sua ausência, faz com que as pessoas percam a imunidade ao vírus.

O estudo apontou também que pessoas com sintomas mais graves tiveram uma produção de anticorpos em maior quantidade, possivelmente, porque exigiram do organismo maior produção de células de defesa.

Mas os pesquisadores não descartam outras formas de combate ao vírus, como a memória genética que as células carregam após serem infectadas e que podem ser reativadas após uma nova infecção, as células T, por exemplo, mas o foco está nessa fração temporal da presença dos anticorpos no organismo, porque relacionado com o funcionamento, com o método resposta aplicado nas vacinas.

Duração da vacina

A preocupação é que se os anticorpos perduram por pouco tempo, a vacina também poderá ter um tempo de resposta curto.

Falando ao Sky News, o professor Robin Shattock, do Imperial College London, responsável pelo teste de uma vacina contra a covid-19 alertou que

“não há certeza de que nenhuma das vacinas em desenvolvimento funcionará” porque ainda não está claro “que tipo de resposta imune é necessária para prevenir a infecção pelo coronavírus”.

Um estudo publicado na revista Science, demonstrou, em 3D, a estrutura de um anticorpo (IgC) neutralizando a proteína chave do vírus da Covid-19.

Isso significa que já sabemos o alvo para uma vacina, é o que afirmou o pesquisador Atila Lamarino em seu Twitter.

Segundo o pesquisador, não é tão simples fabricar um anticorpo que combata um vírus, a exemplo do HIV que até hoje não foi possível fazer uma vacina, porque o tempo de maturação, tempo para o organismo fazer um anticorpo é demorado, é raríssimo e depende completamente da sorte o corpo conseguir responder a esse vírus. Por isso, alguns raros casos que ocorreu a “cura”, são estudados com muito rigor técnico e grande interesse.

Já no caso da Covid-19, em pouco tempo de maturação o organismo já consegue fabricar o anticorpo (IgC) que foi capaz de neutralizá-lo.

Atila finaliza dizendo que as estratégias para fabricação da vacina aumentam porque descobriram que

“o anticorpo que ataca e impede o coronavírus é bastante eficiente e não depende de muita maturação. Ou seja, usando o componente certo na vacina, tem boas chances de resposta eficiente contra o vírus – se a resposta eficiente depender de anticorpos, claro”.

Associação inevitável com o vírus da gripe

Mas os especialistas fazem uma associação inevitável entre o vírus da Covid-19 com o vírus da gripe, afinal, são da mesma família do “Sars”. E como restou verificado com os outros tipos de coronavírus em circulação, responsáveis pelos resfriados e gripes comuns, a população é facilmente reinfectada mesmo entre aqueles que já foram vacinados e mais, em muitos casos, as vacinas precisam ser aplicadas anualmente.

Segundo o professor Stuart Neil, co-autor do estudo feito pela universidade britânica King’s College,

“Uma coisa que sabemos sobre esses coronavírus é que as pessoas podem ser reinfectadas com bastante frequência”.

Dito isso, pode-se sugerir que a imunidade protetora que o corpo gera através de anticorpos para os vírus da família Sars não duram muito tempo e pior, ao que tudo indica, no caso da Covid-19, também pode fazer parte desse padrão.

Imunidade de rebanho afetada?

Jonathan Heeney, um virologista da Universidade de Cambridge, disse que o estudo confirmou

“um crescente corpo de evidências de que a imunidade ao Covid-19 tem vida curta

e fez um duro alerta sobre a imunidade de rebanho, vez que sem evidência científica de que a pessoa uma vez infectada pelo SARS-CoV-2 ficaria imune, além da reinfecção, a saúde poderia ficar mais comprometida.

“A queda dos anticorpos nos infectados pelo vírus coloca outro prego no caixão do perigoso conceito de imunidade de rebanho”

Luz no fim do túnel

Mas sempre há uma luz no fim do túnel, não só os pesquisadores estão otimistas com os efeitos da vacina como acreditam que ela possa ser apresentada até o início do ano que vem.

Arne Akbar, professor de imunologia, da divisão de infecção e imunidade, da Faculdade de Ciências Médicas, da UCL (London´s Global University), disse à reportagem do The Guardian que os anticorpos são apenas parte da história e que as tais células T (células que carregam a memória genética do vírus), podem também servir para combater o vírus, e por isso, as pessoas não precisariam de um nível muito elevado de anticorpos, utilizando a junção das duas potências combativas.

No momento, a única certeza que temos é a dúvida, mas com esperança de que o trabalho dos pesquisadores alcance a finalidade que todos aguardamos, a criação de um remédio ou vacina eficaz e que possa ser disponibilizada de forma global.

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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